Nos EUA, Trump se reúne com assassino de ativistas antirracistas: ‘Bom garoto’

Publicado em 25/11/2021 às 08:50

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Ex-presidente dos EUA Donald Trump e Kyle Rittenhouse
Reprodução

Ex-presidente dos EUA Donald Trump e Kyle Rittenhouse

O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump afirmou que recebeu uma visita de  Kyle Rittenhouse, jovem branco de 18 anos que matou dois manifestantes durante uma marcha contra o racismo, e o chamou de “bom garoto”. A revelação, feita ao canal Fox News nesta terça-feira, ocorre quatro dias após Rittehouse ser absolvido de todas as acusações contra ele por um júri no estado de Wisconsin.

“Ele ligou. Ele queria saber se poderia vir, dizer olá, porque é meu fã”, disse Trump em entrevista à emissora americana. “Ele é um bom garoto. Acabou de sair de Mar-a-Lago (resort de luxo do republicano) há pouco tempo e nunca deveria ter passado por isso”.

Rittenhouse foi considerado inocente das cinco acusações contra ele por matar a tiros dois ativistas do movimento Black Lives Matter e ferir um terceiro durante protesto antirracismo na cidade de Kenosha em agosto do ano passado. Segundo os jurados, Rittenhouse agiu em “legítima defesa” ao balear os três homens com um rifle AR-15, quando caminhava ao lado de uma milícia armada.

Desde a absolvição, uma série de protestos irromperam nas ruas de várias cidades americanas. Após o julgamento que polarizou o país, foram registrados atos em locais como Portland, Chicago, Nova York e Columbus, segundo o New York Times.

Após a decisão, Trump saiu em defesa de Rittenhouse e o parabenizou por ter sido inocentado. “Parabéns a Kyle Rittenhouse por ser inocentado de todas as acusações”, disse o republicano. “Isso se chama ser inocente — e, a propósito, se isso não é legítima defesa, nada é!”, emendou.

Nesta quarta-feira, o filho mais velho do ex-presidente, Donald Trump Jr, publicou uma foto de seu pai ao lado de Rittenhouse com a legenda “GOATs”, acrônimo para “Greatest of all times”, que significa o “maior de todos os tempos” em tradução livre.

O caso

Rittenhouse se juntou a milícias armadas na noite de 25 de agosto durante protestos contra o racismo, impulsionados pelo caso de um homem negro, Jacob Blake, que foi baleado sete vezes nas costas por policiais e ficou paralisado da cintura para baixo. O caso de Blake ainda ocorreu em meio ao movimento nacional antirracismo, iniciado após o assassinato de George Floyd, um homem negro, por um policial branco em Minneapolis.

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Na ocasião, junto de Rittenhouse estavam pessoas vestidas com roupas camufladas e carregando rifles com munição amarrada ao peito, o que é legal para adultos em Wisconsin. A defesa de Rittenhouse alega que ele era um adolescente “marcado pelo civismo” que foi a Kenosha junto de outras pessoas portando armas de grosso calibre para proteger “propriedades privadas”.

Imagens gravadas naquela noite mostraram Rittenhouse circulando pela região oferecendo assistência médica a manifestantes. Pouco antes da meia-noite, ele foi perseguido até o estacionamento de uma concessionária de automóveis por uma das vítimas, Joseph Rosenbaum, que havia se juntado à multidão no centro da cidade.

Um homem próximo disparou uma arma para o ar, e, assim que Rittenhouse se movimentou na direção dos tiros, Rosenbaum lançou-se contra ele. Rittenhouse disparou quatro vezes, atirando na cabeça de Rosenbaum, como mostram as imagens.

Rittenhouse, então, fugiu com pelo menos uma dúzia de membros da multidão perseguindo-o. Momentos depois, Rittenhouse tropeçou e caiu, atirando na sequência em mais duas pessoas que o perseguiam, Anthony Huber — que também morreu — e Gaige Grosskreutz. Na sequência, veículos da polícia chegaram, e Rittenhouse caminhou na direção das viaturas com os braços levantados, mas os agentes passaram por ele, tentando chegar às pessoas baleadas.

O caso reacendeu a discussão sobre uma profunda divisão nos EUA em relação ao porte de armas e ao limite da legítima defesa. Enquanto alguns condenaram Rittenhouse como um justiceiro, outros o classificaram como um herói que exerceu seus direitos previstos na Segunda Emenda da Constituição americana, que garante o direito da população de se defender, inclusive pelo porte de armas de fogo.

Na ocasião, Rittenhouse carregava uma arma que, segundo autoridades, fora comprada ilegalmente para o jovem menor de idade — o equipamento teria sido adquirido por um amigo. Rittenhouse chegara a ser acusado por porte de arma perigosa por uma pessoa menor de 18 anos. No entanto, o juiz rejeitou a acusação antes das deliberações do júri, após a defesa ter argumentado que a lei de Wisconsin não se aplicava ao rifle usado pelo atirador.

Fonte: IG Mundo

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