Ministro diz que Brasil pode mediar fim da Guerra na Ucrânia

Publicado em 06/04/2022 às 16:50

Compartilhe

ucrania2

O chanceler Carlos França afirmou nesta quarta-feira que o Brasil pode atuar como mediador para ajudar a acabar com o conflito entre Rússia e Ucrânia.

Em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, França voltou a criticar as sanções econômicas aplicadas aos russos, defendeu o diálogo como saída para a obtenção de um acordo de paz e ressaltou que a diplomacia brasileira é conhecida como formadora de consensos e voz respeitada pela comunidade internacional.  

“O Brasil tem credenciais para ser mediador. Somos membros do Brics [bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul], somos um ator global, com tradição democrática, e temos uma diplomacia que se construiu ao longo de 200 anos como formadora de consensos e voz sempre respeitada na ONU” , afirmou França aos senadores.

Segundo o ministro, o Brasil mantém boas relações com Rússia e Ucrânia e agiria facilmente como conciliador e facilitador de um consenso. França disse que colocará a diplomacia brasileira a serviço da paz e que conversará sobre o assunto ainda este mês, durante visita a Brasília do chanceler turco, Mevlut Cavusoglu. A Turquia tem atuado como mediadora das negociações entre russos e ucranianos. 

Linha vermelha

Apesar de sua posição contrária às sanções, França reconheceu que a Rússia ultrapassou os limites ao invadir a Ucrânia. Em resposta à presidente da Comissão, senadora Kátia Abreu (PP-TO), que chamou a agressão de “inadmissível”, o chanceler afirmou:

“Vossa excelência tem razão. A agressão é inadmissível. No momento em que há conflito armado, invasão de território, nós entendemos que a Rússia cruzou uma linha vermelha. Quanto a isso não há dúvida.”

Carlos França disse que as sanções econômicas aplicadas à Rússia são seletivas e já prejudicam países fornecedores de alimentos, como o Brasil, que tenta conseguir fertilizantes para o plantio da safra de grãos. Ele disse considerar “lamentável” que as retaliações contra os russos se estendam à cultura e aos esportes. 

“Eu até entendo o uso de sanções pela Europa e os EUA. No entanto, não posso deixar de estranhar a seletividade das sanções”, afirmou França. “Sanções tendem a preservar interesses imediatos de um pequeno grupo de países e prejudicam quem mais depende de importação de alimentos e tem menor capacidade financeira” , completou.

Ao entrevista GLOBO, o embaixador da União Europeia no Brasil, Ignacio Ybañez, havia dito que, quanto mais países aderirem às sanções, inclusive o Brasil, mais rápido termina o conflito. França questionou esse argumento. Disse que a Alemanha, por exemplo, está precisando de combustíveis.  

“Se até esses países têm dificuldades, o que dirá um país como o Brasil”, disse o chanceler.

De acordo com o ministro das Relações Exteriores, a questão dos fertilizantes, que o Brasil importa da Rússia, é “muito grave”. Ele afirmou que há um esforço diplomático no governo brasileiro desses produtos em países como Nigéria, Marrocos, Irã, Canadá e Arábia Saudita — cujo príncipe herdeiro, Mohammad bin Salman, chegou a conversar por telefone sobre o assunto com o presidente Jair Bolsonaro, recentemente. 

No caso do Irã, França lembrou que pediu ao secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, para que seja aberta uma exceção que permita o pagamento dos fertilizantes pelo sistema financeiro. Com a Rússia, ele disse que o governo brasileiro tenta vencer “dificuldades logísticas”. 

“Os importadores brasileiros têm dificuldades para fazer negócios com o Irã. Pedi ao Blinken para que pudéssemos ter um waiver do Departamento do Tesouro, para que não não haja sanções a quem fizer negócios com empresas iranianas “, explicou.  

“Com a Rússia, queremos garantir ao importador que não haverá problema.  Assim como energia para Alemanha é fundamental, para o Brasil, o fertilizante é fundamental.”

O chanceler, que completa um ano no cargo nesta quarta-feira,disse que o Itamaraty conseguiu retirar 230 brasileiros da Ucrânia, dos quais 43 retornaram ao Brasil pela Polônia. Há ainda outros 17 nacionais em território ucraniano, dos quais 11 querem permanecer no país. O restante são jornalistas que cobrem o conflito.

Ele acrescentou que, até a última segunda-feira, foram emitidos 81 vistos de acolhida humanitária para cidadãos ucranianos que fugiram da guerra. 

Fonte: Portal iG

Veja também

Moradores-de-Marechal-Floriano-lutam-contra-a-violencia-sexual-de-criancas-e-adolescentes

Moradores de Marechal Floriano lutam contra a violência sexual de crianças e adolescentes

Musica-sorteios-e-celebracoes-religiosas-na-Festa-de-Sao-Cristovao-no-Trevo-de-Paraju-1

Música, sorteios e celebrações religiosas na Festa de São Cristóvão no Trevo de Paraju

Avenida-movimentada-de-Marechal-Floriano-tera-redutores-de-velocidade-1

Avenida movimentada de Marechal Floriano terá redutores de velocidade

Alerta-para-possiveis-impactos-do-frio-e-da-geada-na-agricultura-brasileira

Alerta para possíveis impactos do frio e da geada na agricultura brasileira

Espirito-Santo-esta-em-alerta-vermelho-para-frio-intenso-e-geada-ate-sabado-1

Espírito Santo está em alerta vermelho para frio intenso e geada até sábado

Morador-de-Afonso-Claudio-e-um-dos-mortos-no-acidente-ocorrido-na-BR-262-1

Morador de Afonso Cláudio é um dos mortos no acidente ocorrido na BR-262

Londres-rainha-Elizabeth-aparece-de-surpresa-em-inauguracao-de-metro

Londres: rainha Elizabeth aparece de surpresa em inauguração de metrô

Homem-e-preso-acusado-de-matar-o-cunhado-em-Brejetuba

Homem é preso acusado de matar o cunhado em Brejetuba