Lula critica ataque dos EUA à Venezuela e alerta para enfraquecimento da ordem internacional

Publicado em 19/01/2026 às 08:39

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em artigo publicado neste domingo (18) no jornal The New York Times, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou os bombardeios realizados pelos Estados Unidos em território venezuelano e a captura do presidente do país, ocorridos no início de janeiro. Segundo Lula, os episódios representam “mais um capítulo lamentável da contínua erosão do direito internacional e da ordem multilateral estabelecida após a Segunda Guerra Mundial”.

No texto, o presidente brasileiro afirma que grandes potências têm promovido ataques recorrentes à autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU) e de seu Conselho de Segurança. Para Lula, quando o uso da força deixa de ser exceção e passa a se tornar regra na resolução de disputas internacionais, a paz, a segurança e a estabilidade globais ficam seriamente ameaçadas.

Lula também critica a aplicação seletiva das normas internacionais, avaliando que essa prática compromete o funcionamento do sistema global. “Se as normas são seguidas apenas de forma seletiva, instala-se a anomia, que enfraquece não apenas os Estados individualmente, mas o sistema internacional como um todo”, escreveu. Segundo ele, sem regras coletivamente acordadas, não é possível construir sociedades livres, inclusivas e democráticas.

Democracia e soberania

No artigo, o presidente reconhece que chefes de Estado ou de governo, “de qualquer país”, podem e devem ser responsabilizados por ações que atentem contra a democracia e os direitos fundamentais. No entanto, ressalta que não cabe a outro Estado assumir unilateralmente o papel de juiz.

De acordo com Lula, ações desse tipo ameaçam a estabilidade mundial, desorganizam o comércio e os investimentos, ampliam os fluxos de refugiados e enfraquecem a capacidade dos Estados de enfrentar o crime organizado e outros desafios transnacionais.

O presidente classifica como “particularmente preocupante” o fato de essas práticas estarem sendo aplicadas à América Latina e ao Caribe. Segundo ele, tais ações levam violência e instabilidade a uma região que busca a paz com base na igualdade soberana das nações, na rejeição ao uso da força e na defesa da autodeterminação dos povos.

Lula destaca ainda que, em mais de 200 anos de história independente, esta é a primeira vez que a América do Sul sofre um ataque militar direto dos Estados Unidos.

Agenda regional

Ao tratar da América Latina e do Caribe, Lula afirma que a região, com mais de 660 milhões de habitantes, tem interesses e aspirações próprias a defender. Em um cenário internacional multipolar, segundo o presidente, nenhum país deveria ter suas relações externas questionadas por buscar a universalidade.

“No texto, Lula afirma que a região não será subserviente a projetos hegemônicos e defende que a construção de uma América Latina próspera, pacífica e plural deve ser a principal diretriz regional”, diz o artigo.

O presidente também defende a construção de uma agenda regional positiva, capaz de superar divergências ideológicas. Entre as prioridades citadas estão a atração de investimentos em infraestrutura física e digital, a promoção de empregos de qualidade, a geração de renda e a ampliação do comércio intra-regional e com outros países.

Segundo Lula, a cooperação entre os países é fundamental para mobilizar recursos destinados ao combate à fome, à pobreza, ao tráfico de drogas e às mudanças climáticas.

Venezuela e cooperação internacional

Sobre a situação venezuelana, o presidente afirma que o futuro do país deve permanecer nas mãos de seu próprio povo. Para Lula, apenas um processo político inclusivo, liderado pelos venezuelanos, pode conduzir a um futuro democrático e sustentável.

No artigo, Lula diz ainda que o Brasil continuará trabalhando com o governo e o povo da Venezuela para proteger os mais de 1.300 quilômetros de fronteira compartilhada entre os dois países e aprofundar a cooperação bilateral.

Ao abordar a relação com os Estados Unidos, o presidente ressalta que Brasil e EUA são as duas democracias mais populosas do continente americano. Segundo ele, unir esforços em torno de investimentos, comércio e combate ao crime organizado é o caminho mais eficaz para enfrentar desafios comuns.

“Somente juntos podemos superar os desafios que afligem um hemisfério que pertence a todos nós”, conclui.

Fonte: Agência Brasil

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