Indústria de petróleo e gás deve atrair R$ 38,4 bilhões no Espírito Santo até 2031
Publicado em 15/04/2026 às 08:07
Fotos: Hélio Filho
A indústria de petróleo e gás no Espírito Santo se prepara para um novo ciclo de crescimento, com previsão de R$ 38,4 bilhões em investimentos até 2031. Os dados constam na 9ª edição do Anuário da Indústria do Petróleo e Gás Natural no Estado, divulgado nesta terça-feira (14) pelo Observatório Findes. O levantamento reúne análises do setor, além de projeções de produção e aportes para os próximos anos.
O estudo mapeia projetos de nove empresas com atuação no Estado, entre elas Petrobras, PRIO, BW Energy, Shell e ES Gás.
A Petrobras concentra a maior fatia dos investimentos, com R$ 29 bilhões previstos até 2030 — sendo R$ 17 bilhões já em execução. Os recursos estão direcionados principalmente às atividades de exploração e produção, com destaque para a instalação do FPSO Maria Quitéria, no Parque das Baleias.
Outros empreendimentos relevantes incluem o Campo de Wahoo, operado pela PRIO, com investimentos estimados em R$ 4,5 bilhões, e os polos Golfinho e Camarupim, sob responsabilidade da BW Energy, que devem receber cerca de R$ 3,6 bilhões até 2030.
No total, os aportes previstos entre 2026 e 2031 incluem ainda R$ 1 bilhão da ES Gás, além de investimentos menores de empresas como Prysmian Group, Imetame, Seacrest, Shell e NBS Petróleo e Gás.
O presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo, Paulo Baraona, destaca que o setor segue como um dos pilares do desenvolvimento econômico capixaba. Segundo ele, o Anuário funciona como uma ferramenta estratégica para orientar decisões e antecipar tendências, reforçando o potencial de geração de emprego e renda.
Baraona também aponta novas oportunidades associadas à cadeia produtiva, como o descomissionamento offshore e projetos de captura, transporte e armazenamento de carbono (CCS), que podem posicionar o Espírito Santo em destaque no cenário nacional.
O governador do Estado, Ricardo Ferraço, ressaltou a importância da atuação conjunta entre setor produtivo e poder público para impulsionar o crescimento econômico. Ele destacou a contribuição histórica da FINDES ao desenvolvimento estadual e a relevância da parceria institucional para a geração de resultados.

O lançamento do Anuário ocorreu no Palácio Anchieta, em Vitória, reunindo autoridades, empresários e especialistas do setor.
Os dados do estudo mostram que o Espírito Santo ocupa posição de destaque nacional, com produção de 192,9 mil barris de petróleo por dia e 5,08 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente em 2025. A maior parte das reservas (94,5%) está localizada em áreas offshore. A projeção indica crescimento médio anual de 13,5% na produção de petróleo e de 10,6% no gás natural entre 2025 e 2027.
Atualmente, o setor reúne 652 empresas no Estado, um aumento de 7,3% em relação ao último anuário, e gera cerca de 17,2 mil empregos formais, com salário médio de R$ 7.954,70 — próximo ao índice nacional.
Outro destaque é o avanço do descomissionamento offshore, que deve ganhar força a partir de 2028, com o declínio natural da produção em campos maduros. Já são 26 projetos aprovados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, somando cerca de R$ 4,8 bilhões em investimentos previstos.
O tema foi debatido durante o evento, com foco nos desafios regulatórios, tributários e de qualificação profissional, além das oportunidades para consolidar o Espírito Santo como um polo nacional nesse segmento.
Produzido desde 2017, o Anuário do setor é considerado uma das principais referências para acompanhamento da indústria de petróleo e gás no Estado, reunindo indicadores como produção, investimentos, arrecadação de royalties e número de poços perfurados, além de projeções até 2031.
Fonte: Gerência de Comunicação e Relações Públicas – Findes