Guerra: China e Rússia visam ‘estreitar laços’, diz chanceler chinês

Publicado em 30/03/2022 às 15:57

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Moscou e Pequim estão “mais determinados” a desenvolver laços bilaterais e aumentar a cooperação, disse o ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, nesta quarta-feira, após uma reunião no Leste da China com seu homólogo russo, Sergei Lavrov, no primeiro encontro dos dois chanceleres desde a invasão da Ucrânia, em 24 de fevereiro.

As duas autoridades também condenaram o que chamaram de sanções ilegais e contraproducentes impostas por governos ocidentais a Moscou pela invasão, segundo comunicado do Ministério das Relações Exteriores russo.

Wang e Lavrov se reuniram na província de Anhui, no Leste da China, onde Pequim está sediando dois dias de reuniões multilaterais sobre o Afeganistão.

“Ambos os lados estão mais determinados a desenvolver laços bilaterais e estão mais confiantes em promover a cooperação em vários campos”, disse Wang. “A China está disposta a trabalhar com a Rússia para levar os laços sino-russos a um nível mais alto em uma nova era, sob a orientação do consenso alcançado pelos chefes de Estado”, concluiu.

Apesar das declarações dos chanceleres, não houve anúncios de medidas concretas de apoio da China à Rússia na guerra. O chanceler chinês disse que apoia as negociações para um cessar-fogo entre Kiev e Moscou e que está disposto a ajudar os dois lados a “superar dificuldades”.

Nestes dois dias, haverá uma reunião de um “mecanismo de consulta” sobre o Afeganistão com a participação de diplomatas de China, Rússia, Paquistão e Estados Unidos. Wang e Lavrov, porém, não participarão do encontro.

‘Turbulência internacional’

A reunião entre os chanceleres da China e da Rússia ocorre pouco mais de um mês depois que Moscou lançou a invasão da Ucrânia, no que chama de “operação especial”, desencadeando sanções econômicas ocidentais sem precedentes.

A Rússia está buscando apoio e parcerias na China. No entanto, empresas chinesas têm sido cautelosas em seu comércio com a Rússia, por temerem que as sanções respinguem sobre elas.

A China, por sua vez, não condenou explicitamente a  invasão, mantendo uma posição dúbia, em que por um lado defende a “integridade territorial” da Ucrânia e por outro atribui o conflito à expansão da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) para o Leste europeu, mantendo em aberto a possibilidade de adesão de Kiev.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia disse que Lavrov informou Wang sobre o progresso das operações militares na Ucrânia e o estado das negociações.

“Os lados observaram a natureza contraproducente das sanções unilaterais ilegais impostas à Rússia pelos Estados Unidos e seus satélites”, acrescentou a pasta em comunicado.

Os dois ministros concordaram que a Rússia e a China continuarão a fortalecer sua parceria estratégica e a falar sobre assuntos globais “com uma voz unida”, segundo o ministério russo. “Foi acordado fortalecer ainda mais a coordenação da política externa e ampliar a cooperação na via bilateral e em vários formatos multilaterais”, disse a pasta.

Já o Ministério das Relações Exteriores da China citou Wang dizendo que as relações bilaterais “resistiram ao teste da turbulência internacional”.

Na segunda, Lavrov disse que as relações da Rússia com a China estavam em seu nível mais forte de todos os tempos. Na véspera dos Jogos Olímpicos de Inverno do mês passado em Pequim, China e Rússia declararam uma parceria “sem limites”.

Nesta quinta-feira, Lavrov visitará Nova Délhi, segundo informou o Ministério das Relações Exteriores indiano. Os dois países vêm buscando maneiras de manter o comércio e outras relações, apesar da guerra na Ucrânia.

A Índia é outro país que, apesar de ter pedido um cessar-fogo, como a China, não condenou explicitamente a invasão russa. Nova Délhi, cliente tradicional de armamentos da Rússia, se tornou um dos maiores compradores de commodities russas depois que os países ocidentais começaram a isolar Moscou.

Fonte: Portal iG

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