Guedes de saída: ministro viaja para reunião com FMI e Banco Mundial

Publicado em 11/10/2021 às 12:21

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O presidente do BC, Roberto Campos Neto, também vai participar de encontros com atores estrangeiros
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O presidente do BC, Roberto Campos Neto, também vai participar de encontros com atores estrangeiros

O ministro da Economia, Paulo Guedes, viajou nesta segunda-feira para Washington para participar da reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. Guedes tem agenda no exterior até quinta-feira.

Na capital dos Estados Unidos, Guedes ainda tem reuniões com ministros da Fazenda e presidentes de banco centrais de países do G20.

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, também participará da reunião do FMI e do Banco Mundial, além de encontros e palestras com investidores institucionais.

Já nesta segunda, Campos Neto tem reuniões virtuais com representantes do banco Sumitomo e do Standard Chartered. Na sexta, ele fará palestra em evento do Goldman Sachs. Campos Neto estará em Washington de terça até sexta desta semana.

No centro das atenções do encontro de líderes mundiais está o futuro da diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, que é acusada de favorecer a China no relatório Doing Business, do Banco Mundial, quando trabalhava na instituição.

Um ponto envolvendo diretamente o Brasil foi a suavização de um alerta sobre os riscos que as mudanças climáticas trazem para a economia brasileira depois do governo se opor à linguagem utilizada no texto.

Futuro de Georgieva no FMI deve ofuscar reunião anual do Fundo com Banco Mundial, que começa nesta segunda

O futuro da diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, deve roubar as atenções do encontro anual promovido pelo Fundo e o Banco Mundial, que começa nesta segunda-feira. A reunião, que será em Washington, vai até 17 de outubro e reúne ministros de Fazenda de mais de 190 países.

Georgieva é acusada de favorecer a China no relatório Doing Business, do Banco Mundial, quando trabalhava na instiuição americana como executiva-chefe. As discussões sobre mantê-la ou não no cargo já provocou um racha no FMI, segundo o jornal britânico Financial Times.

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Estados Unidos e Japão, os dois maiores acionistas do Fundo, defendem a saída de Georgieva, enquanto França, Alemanha, Itália e Reino Unido são favoráveis à continuidade da executiva no cargo, alinhando-se com China e Rússia, segundo fontes ouvidas pelo FT.

Neste domingo, o FMI faria uma reunião com seus diretores, Georgieva e o escritório de advocacia WilmerHale, que a acusa de ter pressionado a equipe do Banco Mundial para alterar os dados relativos à China e, assim, beneficiar o país no relatório Doing Business.

Posição alterada

O relatório traz indicadores sobre facilidades e dificuldades de se fazer negócios em várias nações. Em uma auditoria, o escritório concluiu que, na edição de 2018 do documento, a classificação da China foi elevada artificialmente do 85º para o 78º lugar, a mesma do ano anterior, depois de pressões do governo chinês.

Na semana passada, o conselho do FMI esteve reunido por dois dias, mas não conseguiu chegar a um consenso. Em um comunicado divulgado na noite de sexta-feira, o Fundo informou que esperava concluir a investigação “muito em breve”.

Georgieva vem negando fortemente as acusações. No entanto, um ex-chefe de divisões do FMI disse ao FT que as divergências do conselho sobre o destino da executiva minou sua capacidade de liderança, deixando poucas alternativas além de sua substituição.

Na sexta-feira, o ex-Primeiro Ministro do Reino Unido, Gordon Brown, defendeu Georgieva através de uma postagem no Twitter, dizendo que ela foi “uma excelente servidora pública”, que serviu “com distinção” no cargo.

Ex-Nobel defende Georgieva

Seis ex-funcionários do Banco Mundial também saíram em defesa da executiva em um comunicado divulgado por uma agência de relações públicas contratada por Georgieva no mês passado, classificando-a como uma “pessoa da maior integridade e compromisso com o desenvolvimento”.

Joseph Stiglitz, ganhador do Nobel e ex-economista-chefe do Banco Mundial, descreveu os esforços para removê-la do cargo como um “golpe” e o relatório da WilmerHale como um “hatchet job”, expressão em inglês para caracterizar um documento feito com a intenção de destruir a reputação de alguém.

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