Estudo mostra que população de tubarões diminui nos recifes tropicais

Publicado em 18/06/2023 às 15:17

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A revista Science publicou nesta quinta-feira, 15, um estudo sobre o estado populacional dos elasmobrânquios (tubarões e raias) nos recifes tropicais ao redor do mundo, revelando que cinco das espécies mais comuns de tubarão de recife sofreram um declínio de até 73% devido à sobrepesca. Até recentemente, segundo os pesquisadores, as espécies de tubarões de recife eram listadas em categorias de menor risco de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

Resultado da cooperação de 153 pesquisadores, o estudo conta com a participação de sete brasileiros das seguintes instituições de ensino: Ufes, Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal do Ceará (UFCE), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e Universidade de São Paulo (USP).

A Ufes teve papel relevante na pesquisa por meio da atuação do professor Jean Joyeux, do Departamento de Oceanografia, e dos oceanógrafos Caio Pimentel, doutor em Oceanografia Ambiental, e Hudson Pinheiro, doutor em Ecologia e Evolução, ambos formados pela Universidade.

DETALHAMENTO – O estudo pesquisou 391 recifes de corais em 67 nações e territórios usando 22.756 estações remotas de vídeo subaquático (BRUVS, o acrônimo em inglês) com iscas. A amostragem identificou 104 espécies distintas. Conforme os pesquisadores, a sobrepesca está levando à redução da população dos tubarões recifais, causando drástica diminuição na biodiversidade. Uma análise aprofundada com as cinco espécies mais comuns de tubarões revelou declínios populacionais de 60% a 73% na abundância dos indivíduos e que essas espécies não foram detectadas em 34% a 47% dos recifes estudados. À medida que os recifes se tornam mais empobrecidos em tubarões, as raias se tornam dominantes nesses ambientes, indicando uma mudança em toda a comunidade.

Os tubarões recifais sobrevivem em nações mais ricas ou com uma governança mais forte; e também em áreas mais protegidas. Locais onde há mais pobreza, governança fraca e falta de gestão ambiental estão associados a recifes dominados por raias. A perda de funções ecológicas e de serviços ecossistêmicos causam grandes impactos nos ecossistemas recifais.

MÉTODO – Umas das inovações do estudo é a utilização de sistemas de filmagens subaquáticas com iscas de atração (os BRUVs), uma técnica não invasiva, não destrutiva e ambientalmente sustentável. As principais vantagens do método são a ausência de interferência de mergulhadores ou robôs, a quantidade de amostras, a grande profundidade alcançada e a não captura dos organismos. Além disso, as amostras (em vídeos) podem ser reanalisadas para verificação ou ampliação do escopo da pesquisa.

Foram identificados que estão em número reduzido no meio ambiente os chamados tubarões de recife do Caribe (Carcharhinus perezi – foto principal) e tubarões-lixa (Ginglymostoma cirratum) no Atlântico; tubarões cinzentos dos recifes (Carcharhinus amblyrhynchos), tubarões dos recifes de pontas pretas (Carcharhinus melanopterus) e tubarões dos recifes de pontas brancas (Triaenodon obesus) no Indo-Pacífico, além das arraias amarelas (Urobatis jamaicensis) e arraias meridionais (Hypanus americanus) no Atlântico; raias máscara manchadas azuis (Neotrygon spp.) e raias rabo de fita manchadas azuis (Taeniura lymma e Taeniura Lessoni) no Indo-Pacífico.

ESPÍRITO SANTO – A Ufes, por meio dos laboratórios de Ictiologia e de Ecologia Bêntica, sob o comando do professor Ângelo Bernardino, do Departamento de Oceanografia, e suas universidades parceiras, também tem investido em pesquisas no Brasil sobre a  população de tubarões. Os resultados do grupo se assemelham ao da pesquisa ora publicada. Tubarões recifais também não foram encontrados nas amostras coletadas nas regiões do Refúgio de Vida Silvestre da Área de Proteção Ambiental (Revis/APA) Costa das Algas, em Santa Cruz/ES, de Vila Velha e na APA de Setiba, em Guarapari/ES; e da Reserva Extrativista (Resex) de Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro. Por outro lado, esses animais estão presentes, em diferentes quantidades e espécies, em áreas mais protegidas e conservadas, mais fiscalizadas e mais distantes, como o Banco dos Abrolhos, a Ilha da Trindade e os arquipélagos de Fernando de Noronha e de São Pedro e São Paulo.

No Espírito Santo, as pesquisas foram financiadas pelos Programas Ecológicos de Longa Duração do CNPq (PELD-HCES e PELD-ILOC). Já o principal financiador do estudo publicado nesta quinta na revista Science é a Paul G Allen Family Foundation

Fonte: Ufes

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