Espírito Santo é líder nacional na produção de inhame com crescimento sustentável

Publicado em 15/04/2024 às 11:48

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Foto: Jandir Gratieri

Nas terras férteis do Espírito Santo, a produção da cultura do inhame se destaca, gerando novas oportunidades de negócios, além de emprego e renda para as famílias rurais. O Estado é líder nacional na produção da cultura e responsável por 44% da produção de inhame no Brasil. No último ano, estima-se que a produção de inhame no Espírito Santo foi de aproximadamente 98,5 mil toneladas em uma área de 3,3 mil hectares, com produtividade média de 29,7 toneladas por hectare.

O uso de tecnologias agrícolas avançadas, como sistemas de irrigação eficientes, práticas de manejo integrado de pragas e variedades melhoradas geneticamente têm aumentado a produtividade e a qualidade do inhame capixaba, de acordo com o secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Enio Bergoli.

“O inhame é mais um assunto que dá mérito ao protagonismo do Espírito Santo na produção agrícola. Entre os mais de três mil estabelecimentos rurais que produzem a raiz no Estado, 88% são da agricultura familiar. A produção estadual abastece principalmente o mercado interno, mas também avançamos no comércio exterior. No ano passado, o inhame capixaba chegou a 19 países, sendo Estados Unidos e Reino Unido os principais consumidores”, ressaltou Bergoli.

Segundo a Gerência de Dados e Análises da Secretaria da Agricultura (Seag), a renda rural gerada com a produção de inhame no ano de 2022 foi de R$ 363,8 milhões (1,5% do Valor Bruto de Produção Agropecuária), no grupo de olericultura, sendo o segundo maior valor gerado depois do tomate (R$ 587 milhões). Naquele mesmo ano, a produção atingiu 107,6 mil toneladas, o maior já registrado no Estado, em uma área de 3,3 mil hectares.

Cerca de 30 municípios produzem inhame no Espírito Santo. Alfredo Chaves lidera com 28,4% da produção estadual, seguido por Laranja da Terra (27,8%) e Marechal Floriano (9,8%). Outros 27 municípios produziram em menor escala. 

Segundo João Medeiros, existencionista do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), em Alfredo Chaves, os trabalhos de extensão rural relacionados ao cultivar do inhame continuam na região. “Realizamos o trabalho de assistência técnica do inhame aqui na região e em todo o Estado. Estamos à disposição para atender os produtores. A atividade do inhame no município de Alfredo Chaves envolve cerca de 800 famílias da agricultura familiar”, ressaltou.

Jandir Gratieri é produtor, pesquisador e diretor-executivo da Associação dos Produtores de Inhame, em Alfredo Chaves. Detentor da marca “O Rei do Inhame” ele tem o cultivo da cultura na sua família, transmitido de geração em geração. Foi seu bisavô, Francesco Eugenio Gratieri, que chegou à região em 1983, e encontrou os inhames nativos das Américas. A cultura do inhame localizava-se em brejos. Já o seu avô, Cláudio Gratieri, verificou que a plantação era mais viável em terrenos secos e começou a plantar os inhames em áreas de meia encosta, dando continuidade ao melhoramento do inhame.

De lá para cá, Jandir logo percebeu que era um produto muito fértil e que tinha tendência a melhorar, por isso resolveu investir na produção. “Também sou pesquisador e melhorista do inhame no Brasil. Hoje, por meio desse melhoramento, desenvolvo um dos maiores produtos que a região possui e o corresponde a 70% da minha produção. Nós temos o maior banco genético de acesso a inhame do Brasil. O Espírito Santo é referência, não só nacional, mas internacional, na produção de inhame”, relatou.

Ainda segundo o produtor, o inhame de Alfredo Chaves possui IG. “A Indicação Geográfica foi a forma encontrada para tornar reconhecido o patrimônio mais importante dessa comunidade de Alfredo Chaves. O inhame é um símbolo para a nossa região e o nosso objetivo é agregar valor à agricultura familiar”, ressaltou.

O inhame desempenha um importante papel na alimentação dos brasileiros, por ser uma raiz tuberosa versátil e nutritiva amplamente consumida em diversas regiões do país e também em diversos países pelo mundo. E nesse quesito, o Espírito Santo é um forte contribuidor, visto que boa parte da produção nacional tem origem do solo capixaba.

História

São Bento de Urânia faz parte da zona rural de Alfredo Chaves, município capixaba, localizado ao sul do estado. A região é um dos maiores produtores de inhame do Brasil e por isso o município de Alfredo Chaves é conhecido como a Capital do Inhame, sendo que cerca de 80% dessa produção vem da região de São Bento de Urânia. A região apresenta clima ameno e solo arenoso, propício para a plantação de inhame.

A história do cultivo de inhame na região de São Bento de Urânia se inicia com a chegada de imigrantes italianos na região, por volta do ano de 1887. Inicialmente, a cultura do inhame localizava-se em brejos, cerca de córregos, mas ao longo do tempo foi verificado que a plantação era mais viável em terrenos secos, devido à facilidade do plantio e colheita.

Dentre as variedades de inhame plantadas em território capixaba estão o Inhame Chinês; Inhame Branco do Brejo; Inhame Rosa Italiano. Atualmente, a região também conta com o Inhame São Bento, cultivar de inhame genuinamente capixaba, que apresenta produtividade superior às outras variedades.

O inhame já faz parte da economia e da cultura de São Bento de Urânia. O plantio e comercialização do inhame é um importante fator de geração de emprego e renda para as famílias, e desde 2007 é realizada anualmente a Festa do Inhame, que comemora o início do ciclo da colheita do tubérculo. 

Produto 

Originário do sudeste asiático, o inhame é plantado desde a antiguidade. Este tubérculo possui elevado valor nutritivo e energético, contendo vitaminas e sais minerais. O inhame contém grânulos pequenos, assim é um alimento de fácil digestibilidade.

Indicação Geográfica

Somente podem utilizar o selo da Indicação Geográfica São Bento de Urânia os inhames da variedade São Bento. Essa variedade foi registrada como cultivar no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em 2008, pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper).

Fonte: SEAG

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