DF: policiais confundem píton com jiboia e soltam serpente na mata

Publicado em 08/04/2022 às 16:41

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cobra

Na quarta-feira (6) biólogos e entusiastas de répteis da internet ficaram chocados com o vídeo divulgado pela equipe do Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA). No clipe, é possível ver os PM’s soltando uma cobra píton, espécie exótica original da Ásia, na mata do Distrito Federal. De acordo com a corporação, os policiais confundiram o animal com uma jiboia.

A cobra, que ultrapassa os 2 metros de comprimento, foi resgatada numa área próxima ao Balão do Periquito. De acordo com o BPMA, a equipe examinou o animal e, como não apresentava nenhum problema, ele foi levado até a mata e solto. 

O vídeo do momento foi divulgado na internet. Com isso, não demorou muito para perfis de biólogos e admiradores do animal apontaram o erro. No Twitter, o estudante de ciências biológicas na Universidade Federal de Goiás (UFG) Matheus Reis, administrador do perfil “Legião Escamada”, alertou que na verdade, a cobra é uma píton.

O erro da soltura foi confirmado pela PM nesta sexta-feira (8). A corporação divulgou uma nota afirmando que retomou as buscas pela cobra:

“A Polícia Militar do Distrito Federal, por meio do Batalhão de Policiamento Ambiental, realiza um trabalho de excelência o qual tem resultado em altos índices de produtividade. Apenas nesses três primeiros meses de 2022, 126 cobras foram resgatadas. Em 2021 foram 512 cobras.

Com o apoio do Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetas) e contando, muitas vezes, com a boa vontade de clínicas privadas, o batalhão realiza o manejo desses animais na tentativa de salvar a todos de forma que voltem saudáveis ao seu habitat natural.

O Batalhão, juntamente com o Zoológico e demais órgãos ambientais, já está à procura da Píton. Informamos que a referida cobra era extremamente calma, sendo indício de que era criada em cativeiro. Ressaltamos que alguns estados já estão autorizando o comércio desse animal.”

E a nossa fauna?

Python bivittatus não faz parte do grupo espécies nativas do Brasil. Na verdade, ela é uma serpente originária do sudeste e sudoeste asiático e, inclusive, é tida como animal de estimação por muitas pessoas.

Nós conversamos com João Emílio de Almeida Jr., que é biólogo, herpetólogo e mestrando em Ecologia e Conservação pela UFMS, sobre os possíveis impactos que a soltura da píton na natureza brasileira pode causar – tanto para a nossa fauna quanto para o próprio animal.

Segundo João Emílio, como apenas uma píton foi solta na mata, a chance dela causar um grande impacto é muito pequena, “a não ser que tenha mais de indivíduos da mesma espécie na natureza, ela não conseguirá se reproduzir.”

Mesmo que os impactos sejam pequenos, eles não são inexistentes, diz o biólogo. “Assim como todo animal exótico, ela não ocorre no Brasil e, consequentemente, vai trazer um certo impacto para os animais nativos. Ela pode competir com uma jiboia, que é um animal nativo do país, pode competir com outras serpentes, trazer riscos para outros animais, como os pequenos mamíferos dos quais ela se alimenta”,  diz.

Ele também reitera que é importante considerar o histórico da cobra: se ela vivia na mata, se foi criada em cativeiro ou se era um pet. “Às vezes, o animal sempre foi acostumado a ser tratado pelo seu dono. Então, talvez ela nem saiba caçar. Pode ser até que ela não sobreviva na natureza” , explica.

João Emílio explica que, na nossa fauna, existem alguns animais da nossa fauna que podem caçar a píton. “Mas tudo depende do tamanho do animal” , reitera. O biólogo diz que é bem provável que a cobra não sobreviva se não for resgatada novamente a tempo, já que não é seu habitat natural e ela teria que aprender a viver e caçar na nossa fauna.

Segundo o herpetólogo, a cobra não deveria ter sido solta na mata, mas levada até um biólogo ou instituição especializada, ainda mais por ser um animal exótico.

E é bom tomar cuidado: mesmo tendo sido levada até a mata, existe a probabilidade da cobra rastejar até áreas urbanizadas. “Não só as pítons, como qualquer outra serpente e qualquer outro animal pode ir sim para áreas urbanas. O ser humano vem invadindo cada vez mais as florestas, então é muito provável que esses animais possam, em algum momento, aparecer na cidade”,  explica o biólogo.

Fonte: Portal iG

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