Copom aumenta Selic para 12,25% ao ano devido a câmbio e inflação

Publicado em 17/12/2024 às 14:38

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Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) justificou o aumento de 1 ponto percentual da taxa básica de juros, a Selic, para 12,25% ao ano, devido à alta recente do câmbio e à inflação corrente. Segundo a ata divulgada nesta terça-feira (17), a reação negativa do mercado financeiro ao pacote fiscal do governo tornou o cenário inflacionário mais desafiador, exigindo uma postura monetária “ainda mais contracionista”.

A ata destacou que o anúncio do pacote de cortes de gastos e aumento da isenção do Imposto de Renda, no dia 28 do mês passado, impactou o mercado, levando o dólar a ultrapassar R$ 6 pela primeira vez. Como consequência, o prêmio de risco, as expectativas de inflação e a taxa de câmbio foram afetados.

O Copom afirmou que, caso o cenário adverso persista, novos aumentos de 1 ponto percentual podem ocorrer nas próximas reuniões, previstas para janeiro e março de 2024. A meta de inflação é de 3% para o próximo ano, com tolerância entre 1,5% e 4,5%.

Impactos econômicos
A projeção do mercado para a inflação oficial, medida pelo IPCA, subiu de 4,84% para 4,89% em 2024, segundo o Boletim Focus. As estimativas para 2025, 2026 e 2027 são de 4,6%, 4% e 3,66%, respectivamente.

O comitê apontou a alta nos preços de alimentos devido à estiagem e ao aumento do preço das carnes, além do impacto da valorização do dólar sobre bens industrializados, que pode pressionar os preços nos próximos meses.

Resiliência da economia e pleno emprego
O BC também destacou o dinamismo econômico e o pleno emprego como fatores que desafiam a convergência da inflação à meta. Mesmo com juros elevados, o mercado de crédito e de capitais mostrou crescimento acima do esperado. No entanto, o cenário exige “cautela e diligência adicionais” na concessão de crédito, considerando a alta inadimplência e o comprometimento de renda.

O Copom reiterou a importância da disciplina fiscal e das reformas estruturais. O aumento de crédito direcionado e a incerteza sobre a dívida pública podem elevar a taxa de juros neutra, comprometendo a política monetária e encarecendo o controle da inflação.

Cenário externo
O Copom avaliou que o ambiente externo continua desafiador, principalmente devido às incertezas econômicas nos Estados Unidos. A postura do banco central americano (Fed), somada às possíveis mudanças na política fiscal e tarifária, adiciona riscos ao cenário global. A necessidade de maior cautela na condução da política monetária doméstica foi reforçada.

Histórico da Selic
Esta é a terceira alta consecutiva da Selic, que volta ao patamar de dezembro de 2023. A taxa permaneceu em 13,75% entre agosto de 2022 e agosto de 2023, com cortes sucessivos até maio deste ano. O ciclo de aumento começou em setembro, com acréscimos em novembro e, agora, em dezembro.

Fonte: Luciano Nascimento – Repórter da Agência Brasil

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