Ciclista que pedala há 26 anos para pagar promessa passa por Venda Nova do Imigrante

Publicado em 29/06/2017 às 13:12

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A história começou há mais de 26 anos, com uma promessa a Nossa Senhora Aparecida. Se voltasse a enxergar e recuperasse os movimentos do corpo, Antônio Rogério do Nascimento, o “Neguinho do Asfalto”, ficaria 30 anos na estrada, pedalando. E foi assim que começou a jornada, em 1º de fevereiro de 1991. Hoje, já são 355 mil quilômetros rodados, 10 bicicletas, 48 pares de tênis, 120 pneus e 28 países percorridos. Na manhã desta quarta-feira (28), “Neguinho do Asfalto” passou por várias cidades da Região Serrana do Espírito Santo. Em Venda Nova do Imigrante, decidiu parar para uma entrevista.

“Encontrei um caminhoneiro que mora aqui, lá no Rio Grande do Sul. E ele me sugeriu que eu deveria vir pra cá e dar uma entrevista pra rádio. Eu vim. Sai de madrugada de Manhuaçu e pretendo ir para Vitória e, de Vitória, para o Rio”, conta.

A história nas estradas ainda está longe de terminar. Ele pretende chegar ao Canadá até 2022, onde encerrará esse ciclo de sua vida e se dedicará a escrever suas memórias. E não são poucas. “Neguinho do Asfalto” perdeu a mãe quando nasceu. Quando criança, sofria de várias doenças, como cegueira, paralisia e problemas nos rins e pulmões. Foi aí que, aos 11 anos, fez a promessa de que, se voltasse a andar e enxergar, dedicaria os próximos 30 anos às estradas.

Ele sobrevive com doações de prefeituras e caminhoneiros. Pedala mais de 150 quilômetros todos os dias. Dorme em uma barraca, que arma em locais de movimento, como postos de gasolina. Já passou momentos difíceis, como na Argentina, onde queimaram a bandeira do Brasil que ele carrega consigo na bicicleta, e o agrediram. Mas há muitos momentos bons marcando seus passos.

ciclista em venda nova 2

“Estava no México e consegui pegar um voo, com ajuda, para a África. Fiquei três anos por lá. A recepção foi incrível, mas vi muita pobreza, muita falta de estrutura”, conta ele, afirmando ainda que só para de pedalar aos domingos, quando escreve um relatório em um notebook que ganhou. Os escritos vão ajudá-lo a escrever seu livro.

Pergunto se ele não se cansa dessa vida na estrada. Ele balança a cabeça e diz que sim. Mas não pretende desistir antes de terminar sua jornada. O que sonha, mesmo, é voltar para sua terra natal, o Mato Grosso do Sul. Mas faltam muitos quilômetros. Isso, só em 2022. Até lá, vamos torcer para que seus caminhos estejam sempre abertos!

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