Café arábica ganha força em 2026 enquanto conilon recua
Publicado em 12/01/2026 às 11:56
Foto: Freepik / Gerado por IA
O início de 2026 traz um cenário de preços mais robusto para o café arábica em comparação com o mesmo período do ano anterior, enquanto o conilon apresenta comportamento distinto, refletindo variações de oferta, demanda e dinâmica de mercado no agronegócio brasileiro.
Segundo os dados mais recentes compilados pelo Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV) levantados pela Revista Negócio Rural, a média mensal da saca de café arábica em janeiro de 2026 ficou em aproximadamente R$ 2.145,75 (valor médio mensal consolidado) na cotação física do mercado brasileiro. Esse nível representa um patamar elevado em comparação ao início da safra anterior, quando os preços estavam historicamente mais baixos nos primeiros meses de 2025.
Esse movimento sugere forte valorização do arábica no mercado interno, apoiado por fatores como estoques reduzidos globais, condições climáticas em grandes regiões produtoras e expectativa de demanda mais firme no curto prazo.
CONILON – No caso do café conilon (robusta), a cotação média observada para o início de janeiro de 2026 foi de cerca de R$ 1.226,75 por saca de 60 kg (média mensal apontada pelas séries mensais do CCCV).
Ao comparar com o mesmo período de janeiro de 2025, há relatos de que a saca de conilon chegou a R$ 2.034,00 em alguns momentos do mês para produtores que negociaram em preços de pico. Isso indica que, em partes da safra anterior, o conilon havia alcançado patamares notavelmente superiores aos praticados no início de 2026.
A amplitude dessas variações evidencia que o conilon passou por um movimento de descompressão de preço entre um período e outro, especialmente para aqueles que não conseguiram comercializar no ponto mais alto do ano passado. Esse ajuste pode estar associado a fatores de oferta, estoques mais confortáveis ou menor pressão de mercado frente ao arábica no início do ciclo 2025/26.
Comparativo de Preços — Janeiro 2025 x Janeiro 2026
| Tipo de Café | Janeiro/2025 (referência histórica) | Janeiro/2026 (CCCV – média) |
|---|---|---|
| Arábica | Níveis inferiores ao de 2026 (referência geral de mercado) | ~R$ 2.145,75 por saca (média) |
| Conilon | Pico até R$ 2.034,00 (alguns produtores) | ~R$ 1.226,75 por saca (média) |
Observação: as cotações de janeiro de 2025 não estão todas formalizadas em boletins mensais públicos, mas evidências de mercado apontam para preços de conilon significativamente mais altos naquele início de ano em comparação com a média registrada em 2026.
Análise de Tendências
A diferença nos patamares de preço entre arábica e conilon reflete realidades distintas:
- Arábica segue em patamar mais elevado, sustentado por escassez relativa de oferta internacional e por negociações que incorporam expectativas de mercado futuro mais otimistas para o café superior.
- Conilon, apesar de ainda relevante para a cadeia produtiva, mostra uma pressão de queda ou correção de preço, especialmente quando comparado aos extremos observados no início de 2025.
Esses movimentos reforçam a necessidade de estratégias diferenciadas de comercialização para produtores das duas variedades, com foco em gestão de risco, contratos futuros e análise mais fina de mercado para maximizar ganhos ou mitigar perdas.
PERSPECTIVAS – O mercado de café continua sensível às variáveis internacionais, como condições climáticas em regiões produtoras no Brasil e no exterior, cotações nas bolsas de Nova York e Londres, além de fatores cambiais que influenciam diretamente a competitividade dos cafés brasileiro no mercado global. O comportamento dos preços observados no primeiro mês de 2026 indica que o diferencial entre arábica e conilon segue sendo um ponto de análise estratégico para agentes da cadeia cafeeira.
Para produtores e operadores de mercado, acompanhar a evolução diária e consolidada das cotações junto ao CCCV e instituições como Cepea e Bolsa de Valores (B3) é recomendação constante para decisões de venda, hedge e planejamento de safra.
Fonte: CCCV