Bioinsumos iniciam uma nova fase de transformação da agricultura mundial

Publicado em 28/02/2024 às 11:03

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Após passar por diversas transformações ao longo dos séculos, o setor agrícola mundial vive uma era de importante mudança. Junto com a melhoria genética e o uso tecnológico em diversos segmentos e de várias formas, a demanda por produtos cada vez mais naturais e com respeito ao meio ambiente tem feito com que o uso de produtos biológicos cresça de forma vertiginosa.

E nesse mercado, o Brasil desponta mundialmente. Para se ter uma ideia, em 2005 havia apenas um produto biológico registrado no Brasil. Até o final do ano passado, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), esse número passava de 700 produtos de baixo impacto registrados, destacando o país como referência mundial na utilização de defensivos agrícolas biológicos no campo.

Os produtos de baixo impacto são formulações que possuem ingredientes ativos biológicos, microbiológicos, semioquímios, bioquímicos, extratos vegetais e reguladores de crescimento, podendo ser autorizados em vários casos na agricultura orgânica.

Em um artigo publicado pelo pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, Wagner Bettiol e pelo pesquisador da Universidade Federal de Lavras (UFL), de Minas Gerais, Flávio Henrique Vasconcelos de Medeiros, as três possíveis razões para o Brasil emergir como o maior produtor e usuário de agentes de biocontrole do mundo são: a área cultivada, a ocupação constante dessas áreas cultivadas e também as condições climáticas.

“Durante muitos anos, devido à falta de forte concorrência com os defensivos químicos e ao desinteresse das grandes empresas, os produtos biológicos eram em sua maioria produzidos pelos próprios agricultores ou vendidos sem registro. No entanto, esse cenário mudou no início dos anos 2000, quando as empresas de produtos biológicos foram pressionadas a registrar seus produtos na legislação de agrotóxicos. Além disso, um novo método de registro de biológicos foi criado no início deste século: o registro de produtos para uso na agricultura orgânica”, escreveram os pesquisadores.

Esses produtos são importantes para agricultura não apenas pelo impacto toxicológico e ambiental, mas também por beneficiar as culturas de suporte fitossanitário insuficiente (minor crops), pois esses produtos são registrados por pragas e não por cultura como acontece com os químicos.

A Biotrop desenvolve produtos para pragas e doenças das mais variadas culturas agrícolas

O Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, disse que os bioinsumos terão um grande papel no futuro do agro brasileiro. “Este crescimento deve ser embasado em ciência e debates. O nosso país tem competência para caminhar para um futuro e garantir cada vez mais a liderança na produção de alimentos, sempre com sustentabilidade e segurança alimentar”, afirmou.

Empresa brasileira investe em pesquisa e inovação de produtos

Rogério Rangel, da Biotrop, destacou o constante desenvolvimento para atender variadas demandas agrícolas

Uma das empresas de destaque mundial na produção de biológicos é a brasileira Biotrop, que no final de setembro do ano passado foi integrada ao grupo belga Biobest, que adquiriu participação majoritária da empresa. A equipe da revista Negócio Rural visitou a sede da empresa – uma fazenda de 40 hectares que fica entre Jaguariúna e Santo Antônio de Posse, em São Paulo – a convite da Texto Comunicação.

Além de campos experimentais de diversas culturas, modernos laboratórios de pesquisa estão em constante buscas por inovações na Estação Experimental Bio Oracle. A intenção da empresa é ampliar cada vez mais a atuação a mais culturas agrícolas e oferecer soluções para problemas enfrentados pelos produtores em suas propriedades.

Segundo o diretor de Pesquisa, Inovação e Expansão Internacional da Biotrop, Jonas Hipólito, um dos desafios para o produtor rural é produzir cada vez mais, sem destruir a natureza, pensando na sustentabilidade e aumentando a rentabilidade.

Jonas Hipólito destacou que o Brasil está mais de 10 anos à frente de mercados internacionais de biológicos

“A Biotrop tem expandindo a operação para a América do Norte e Europa, e podemos perceber que estamos de 10 a 15 anos à frente desses mercados internacionais. Práticas de conservação de solo e produtos biológicos que reduzem a carga química e elevam a eficiência no uso de fertilizantes são ferramentas que hoje são usadas de forma frequente pelos produtores brasileiros. Tecnologia é a resposta para conciliar produção, sustentabilidade ambiental e econômica”, afirmou.

QUEBRA DE PARADIGMAS – Mesmo com toda a tecnologia disponível ao produtor rural, o convencimento de trocar adubo e defensivos químicos por produtos biológicos não é uma tarefa fácil. “O desafio da indústria é a capacidade de estar ao lado do agricultor e fazer os testes para que ele possa ver, ter segurança e acreditar nos resultados. Fazer esse convencimento não é fácil”, afirmou Jonas Hipólito.

Entretanto, o diretor da Biotrop destaca que atualmente existem agrônomos capacitados e produtores ávidos para essa mudança. “O Brasil está liderando a substituição de uso de defensivos químicos por insumos biológicos e liderando o aumento da eficiência de fertilizantes com uso de bioinsumos. Isso está dando um dinamismo ao mercado”, destacou. 

O mesmo pensamento é compartilhado pelo gerente de marketing da Biotrop, Rogério Rangel. Ele enfatizou que a empresa está em constante desenvolvimento para atender às demandas das mais variadas culturas agrícolas. Segundo Rangel, a empresa se preocupa em ter especialistas em todas as regiões brasileiras.

“É importante ter presença no campo, conhecendo as culturas de cada região, conhecendo os produtores e dando essa assistência técnica necessária. Trabalhamos com importantes cooperativas e distribuidores, que têm também as suas equipes técnicas, que são treinadas por nossos engenheiros agrônomos”, disse.

Produtores confirmam aumento de produção em lavouras após uso de bioinsumos

Mais de 50% dos produtos usados pelo viveirista Douglas Kuster, de Marechal Floriano (ES), são biológicos. Ele conta com acompanhamento técnico da Sthur Agropecuária

No Espírito Santo, assim como no restante do país, tem crescido a adesão de agricultores aos produtos biológicos para o controle de pragas e doenças. A Biotrop mantém dois engenheiros agrônomos no Estado atuando nas produções de café conilon, café arábica e hortifrutis.

Na Região Serrana capixaba, a Agropecuária Stuhr é distribuidora dos produtos da Biotrop. Em Marechal Floriano, o viveirista Douglas Kuster, 48 anos, é atendido pelos técnicos da empresa e revela resultados satisfatórios com o uso de produtos biológicos. Ele é proprietário do viveiro Hort Mudas e comercializa cinco milhões de mudas de hortifruti, principalmente de alface, seguido de temperos, pimentão, repolho e legumes.

Kuster informou que de todos os produtos de prevenção e combate a pragas e doenças das suas plantas, cerca de 50% são bioinsumos. “No início não acreditava muito em biológicos, mas começamos a testar e percebemos que os resultados eram muito bons. E o melhor é que são produtos com toxidade muito baixa. Faz bem ao meio ambiente, a quem consome e a quem aplica”, afirmou.

Ele destacou que o mercado busca cada vez mais produtos isentos ou com menos agrotóxicos. “Também temos produção de pimentão e tomate em estufas e percebemos que o biológico está cada vez mais abrangente e eficiente. Hoje é possível produzir tomates em estufas usando praticamente só produtos biológicos”, garantiu.

Um dos produtos usados pelo produtor é o Bioexos, que age como “repelente” contra diversos tipos de insetos. “Sempre que surgir um novo biológico, irei experimentar nas plantações. O apoio técnico é muito importante para nos orientar quanto ao uso desses produtos”, afirmou.

O técnico agrícola Rodrigo Lauvers atende Douglas Kuster e outros produtores da região. Ele destacou o aumento do uso de bioinsumos por agricultores da região. “A procura por biológicos é crescente, principalmente por conta dos resultados obtidos e também pela questão de saúde das pessoas e do solo. O biológico está tomando o espaço dos químicos. Nossa função é sempre realizar testes de produtos para cada cultura e fazer a indicação correta”, contou.

Na região, produtores também têm usado biológicos em lavouras de café e banana. “Muitos não querem mais usar químicos depois que confirmam nas lavouras os resultados com os biológicos”, relatou o técnico. Um desses produtores é Dalcides Paulo Pinto, de São Bento de Urânia, em Alfredo Chaves. Ele disse que se surpreendeu com os resultados em plantios de tomate e repolho.

Os biológicos também estão apresentando bons resultados em plantações de tomate

“Eu tinha dúvidas com relação aos biológicos, mais depois de usar esses produtos, fiquei muito satisfeito com os resultados. Foi o que eu estava precisando para a lavoura de tomate. Eu nunca tinha conseguido controlar uma bactéria do tomate, e com o biológico eu consegui. Também usei em plantio de repolho”, revelou.

Dalcides afirmou que vai usar outros produtos biológicos em suas lavouras. “Eu não deixo mais de usar esses produtos,  ainda mais sabendo da eficiência dos biológicos,  e o melhor:  muito mais saudável para a saúde da gente”, enfatizou.

Fonte: Revista Negócio Rural/ Fotos: Julio Huber

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