“Quero ser o representante das montanhas”, afirma candidato a deputado estadual Hiltinho Passos

Publicado em 28/09/2026 às 10:02

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Texto: Montanhas Capixabas / Fotos: Divulgação

É com a experiência de empreendedor do turismo e também como agricultor que Hiltinho Passos, 51 anos, morador de Domingos Martins, quer representar os moradores das montanhas na Assembleia Legislativa. Concorrendo a uma das 30 vagas de deputado estadual, Hiltinho tem percorrido a região de montanhas em busca de apoio e conversando com moradores.

“Só quem sabe as necessidades da nossa casa somos nós mesmos. Por isso, quem é daqui conhece os problemas enfrentados pela população e o que precisa para o desenvolvimento crescente. Nesses últimos dias, tenho ouvido as demandas de moradores e empreendedores e tive a certeza de que a região precisa de alguém que conheça essa realidade de perto”, afirma Hiltinho.

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Filho e neto de agricultores e pai de três filhos, Hiltinho é formado em Ciências Contábeis e há mais de 20 anos comanda o Restaurante Passos, em Pedra Azul. “Quando comprei o restaurante, havia lugares para umas 20 pessoas, hoje, o novo espaço pode receber até 300 pessoas. Acompanhei a evolução do turismo e o crescimento da região, mas ainda há muito para evoluir. E, com certeza, com apoio do poder público, os empreendedores terão maiores facilidades para se desenvolver”, comentou Hiltinho.

A candidatura de Hiltinho ocorre em um momento em que a Região Serrana busca ampliar sua representação política. Na mesma eleição, o deputado federal Evair de Melo, morador de Venda Nova do Imigrante e com trajetória ligada à agricultura e ao desenvolvimento regional, disputa uma das duas vagas do Espírito Santo no Senado. Hiltinho, por sua vez, busca uma cadeira na Assembleia Legislativa. Em caso de eleição dos dois, a região passaria a contar com representantes identificados com as montanhas em duas importantes esferas do Legislativo, no Estado e em Brasília.

Evair de Melo concorre a uma vaga de senador, enquanto Hiltinho disputa uma das 30 cadeiras de deputado estadual

Mais do que ocupar espaços diferentes, a presença de ambos poderia permitir uma atuação articulada na defesa das demandas dos municípios serranos. A ideia é unir a representação estadual e federal para buscar recursos, investimentos e políticas públicas em áreas consideradas estratégicas para a região, como agricultura, turismo, infraestrutura, saúde e educação. Para Hiltinho, a força política das montanhas pode ser ampliada quando as demandas locais são levadas de forma coordenada a Vitória e a Brasília.

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Ele destacou que, caso seja eleito deputado estadual, pretende buscar recursos e investimentos para os municípios da região de montanhas. “Quero defender uma agricultura mais forte, incentivar o comércio e o turismo, gerar oportunidades, buscar investimentos para a saúde e trabalhar por uma educação de qualidade para nossas crianças e jovens”, afirmou Hiltinho. Confira, abaixo, a uma entrevista concedida pelo candidato Hiltinho Passos.

Portal Montanhas Capixabas – Por que decidiu voltar à política e disputar uma vaga na Assembleia Legislativa?

Hiltinho Passos – A Região Serrana é muito usada nas eleições. Os candidatos vêm buscar votos aqui, mas, depois de eleitos, acabam investindo onde realmente possuem suas bases políticas. Nossa região precisa voltar a ter uma voz forte na Assembleia.

Decidi voltar à política justamente por perceber essa necessidade de representação. Minha família está aqui há várias gerações, meus negócios estão aqui e quero continuar vivendo aqui. Quem conhece a região sabe onde estão suas necessidades.

Estou construindo uma candidatura forte, buscando o apoio de municípios como Domingos Martins, Marechal Floriano, Venda Nova do Imigrante, Afonso Cláudio, Brejetuba, Conceição do Castelo, Ibatiba, Alfredo Chaves e outras cidades das montanhas capixabas.

O senhor já teve outras experiências na política. O que mudou desde então?

Desde a escola eu era líder de turma. Meus avós gostavam muito de política e isso sempre fez parte da minha vida. Ao longo dos anos, também participei ativamente da comunidade de Aracê, onde fui coordenador da igreja em duas ocasiões e acompanhei a construção do templo da comunidade.

Já fui candidato a vereador em Domingos Martins e tive a quinta maior votação, mas não consegui ser eleito por causa do coeficiente partidário. Depois, fui candidato a vice-prefeito ao lado de Kadana Kiefer. Nossa chapa teve cerca de 38% dos votos e ficou em segundo lugar.

Depois disso, me dediquei aos meus negócios. Agora, depois de quase 20 anos sem disputar um cargo público, decidi voltar à política porque acredito que posso contribuir com a região.

Sua história pessoal tem forte ligação com a agricultura. Como essa experiência influencia suas propostas?

Sou filho de agricultor e vivi no campo até os 28 anos. Conheço de perto os desafios de quem trabalha todos os dias para produzir e colocar alimento na mesa. A agricultura familiar tem um papel fundamental no Espírito Santo e precisa ser valorizada. Precisamos criar condições para que o produtor permaneça no campo, tenha renda e possa produzir cada vez mais.

Uma das principais necessidades de quem vive no campo é melhorar as estradas rurais, tanto para escoar a produção quanto para garantir o acesso das famílias aos serviços básicos. Vou lutar para fortalecer o programa Caminhos do Campo e destinarei parte das minhas emendas para esse setor.

Hiltinho tem produção de café em sua propriedade rural

Quero levar essas demandas para a Assembleia Legislativa e defender quem vive e trabalha no campo. O pequeno agricultor conhece as dificuldades da atividade. Muitas vezes, pequenas ações do poder público fazem grande diferença para quem produz. O cooperativismo também é um caminho importante, porque fortalece o produtor, agrega valor à produção e ajuda a reduzir custos.

E como surgiu sua relação com o turismo e o empreendedorismo?

Antes de ingressar no ramo da gastronomia, eu trabalhava na agricultura. A mudança aconteceu de maneira inesperada. Eu frequentava um restaurante em Pedra Azul e recebi da então proprietária o convite para assumir o estabelecimento.

Na época, eu não sabia fritar nem um ovo. Mesmo sem experiência, decidi aceitar o desafio e comprei o restaurante, há 21 anos. O estabelecimento tinha inicialmente seis mesas e 28 pratos. Com o passar dos anos, cresceu e hoje pode atender cerca de 300 pessoas.

Há cinco anos, o restaurante ganhou um novo endereço, ao lado do Centro de Eventos Morangão, com uma visão privilegiada para a Pedra Azul. Atualmente, gera 15 empregos diretos e chega a 25 postos de trabalho quando considerados os indiretos. Hoje conheço de perto tanto a realidade do agricultor quanto a do empreendedor que depende do turismo para manter seu negócio funcionando.

Qual é a importância do turismo para as montanhas capixabas?

Atualmente, a nossa região depende muito do turismo. É ele que gera empregos, movimenta novos investimentos e fortalece diversos segmentos da economia. Quando comecei no restaurante, Pedra Azul ainda não tinha a projeção que possui hoje. Atualmente recebemos visitantes de várias partes do Brasil e do exterior. Além dos grandes empreendimentos, o desenvolvimento regional passa pelo fortalecimento dos pequenos empresários e produtores rurais.

O turismo é uma das grandes forças das montanhas capixabas. Gera renda, movimenta o comércio e cria oportunidades para quem vive e trabalha na região. Hoje já temos turistas durante todo o ano, mas ainda estamos longe de explorar todo o potencial que as nossas montanhas oferecem.

O que precisa ser feito para ampliar esse potencial turístico?

Precisamos melhorar o acesso, especialmente a BR-262, e avançar com a pavimentação das estradas que levam aos nossos atrativos. Onde o Caminhos do Campo chegou, vimos o turismo se desenvolver.

Também precisamos unir cada vez mais os municípios e valorizar nossas festas e tradições. Cada cidade tem algo único para oferecer e, juntos, podemos levar o turismo de experiência das montanhas capixabas para o Brasil e para o mundo.

O senhor também participou da organização da Festa do Morango. O que essa experiência ensinou?

O evento passava por dificuldades financeiras e precisávamos criar algo que chamasse atenção. Nosso grupo da época teve a ideia da torta gigante, que acabou ganhando repercussão nacional e ajudou a dar uma nova visibilidade para a festa.

Isso mostra que boas ideias podem transformar a economia local e fortalecer o turismo.

As festas tradicionais desempenham um papel importante na economia serrana. Temos a Festa da Polenta, em Venda Nova do Imigrante; a Festa do Morango, em Pedra Azul; a Sommerfest e o Festival de Inverno, na sede de Domingos Martins; a Italemanha, em Marechal Floriano; a Festa do Café, em Brejetuba; a Festa do Carro de Boi, em Afonso Cláudio; a Festa do Tropeiro, em Ibatiba; e a Festa da Banana e do Leite, em Alfredo Chaves. São festas que mostram a força das comunidades e ajudam a divulgar nossa cultura para todo o Estado. A Festa da Polenta, por exemplo, reúne mais de 1,5 mil voluntários.

Na área da saúde, quais são as principais demandas que pretende defender?

É desumano as pessoas terem que percorrer tantos quilômetros até a Grande Vitória para tratamentos e consultas médicas especializadas. Precisamos ter mais atendimentos e dar mais conforto às pessoas em nossa região.

Um exemplo é a obra construída em Aracê, próximo ao trevo de Afonso Cláudio. O prédio foi construído para abrigar um centro de especialidades médicas, mas hoje funciona a Polícia Ambiental no local.

Precisamos ter ali um centro de hemodiálise, porque muitos pacientes precisam ir à Grande Vitória para esse atendimento. Também quero buscar investimentos para a saúde e trabalhar para que a população das montanhas tenha acesso a serviços mais próximos de onde vive.

Quais são, então, as principais bandeiras que pretende levar para a Assembleia?

Quero defender uma agricultura mais forte, incentivar o comércio e o turismo, gerar oportunidades, buscar investimentos para a saúde e trabalhar por uma educação de qualidade para nossas crianças e jovens.

Também quero defender melhorias na infraestrutura, principalmente nas estradas rurais e nos acessos aos atrativos turísticos. Precisamos criar condições para que o produtor possa permanecer no campo, para que o empreendedor possa crescer e para que os jovens tenham oportunidades na própria região.

O que significa, para o senhor, construir uma candidatura regional?

Significa entender que as montanhas não terminam na divisa de um município. Temos problemas e potencialidades que são comuns a várias cidades. Minha família está aqui há várias gerações, meus negócios estão aqui e quero continuar vivendo aqui. Quem conhece a região sabe onde estão suas necessidades.

Quero ser uma voz para essa região. Não quero representar apenas um município, mas defender os interesses das montanhas como um todo. Precisamos reunir os municípios e construir uma agenda comum, porque juntos teremos mais força para buscar investimentos e melhorias.

Por que acredita que pode representar as montanhas na Assembleia?

Porque conheço essa realidade de perto. Vivi na agricultura, conheço os desafios do produtor rural e há mais de duas décadas estou à frente de um empreendimento ligado ao turismo. Quem é das montanhas conhece os problemas enfrentados pela população e o que precisa para o desenvolvimento crescente.

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