Pesquisadores da Ufes desenvolvem estudos com drones para aumentar eficiência da pulverização agrícola
Publicado em 09/07/2026 às 09:41
Foto: Magnific
Pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) estão desenvolvendo estudos para aprimorar o uso de drones na aplicação de produtos químicos, físicos e biológicos em lavouras. As pesquisas, realizadas no Laboratório de Mecanização e Defensivos Agrícolas, no campus de São Mateus, buscam tornar as pulverizações mais eficientes, reduzir custos operacionais, otimizar o tempo de trabalho e minimizar perdas causadas pelo vento.
Os experimentos são conduzidos na Fazenda Experimental da Ufes por estudantes e pesquisadores sob a coordenação do professor do Departamento de Ciências Agrárias e Biológicas, Edney Vitoria. Segundo o pesquisador, o uso de aeronaves remotamente pilotadas vem ganhando espaço como alternativa tecnológica para aplicações agrícolas, especialmente em culturas de grande porte.
Uma das principais linhas de pesquisa busca definir parâmetros que garantam maior precisão na pulverização. Para isso, os cientistas analisam dois conceitos essenciais: a “faixa total”, correspondente à área alcançada pelas gotas pulverizadas, e a “faixa efetiva”, considerada a região ideal para garantir a sobreposição correta das aplicações e a eficiência do controle biológico.
Os estudos também avaliam fatores como o espectro das gotas, a influência da altura e da velocidade de voo e o comportamento do equipamento em terrenos acidentados, como as lavouras de café das regiões montanhosas. Os testes utilizam um drone EAVision EA-60X, operando em diferentes combinações de altura e velocidade, que resultam em um banco de aproximadamente 450 amostras para análise.
Avaliações em diferentes culturas
Entre os experimentos em andamento está a pulverização em pomares de citros, como laranjeiras e limoeiros. As árvores, com copas densas e altura média de 3,20 metros, representam um desafio para a penetração dos produtos no interior da planta. Os pesquisadores irão comparar os resultados obtidos com drones aos métodos tradicionais de pulverização hidropneumática.
Além dos citros, o cronograma de pesquisas inclui culturas perenes como mamão, bananeira, florestas comerciais de eucalipto, cana-de-açúcar, pastagens e cultivos considerados mais complexos para pulverização, como a pimenta-do-reino. O objetivo é compreender como diferentes arquiteturas vegetais interferem na deposição, cobertura e penetração das gotas.
Outra linha de investigação avalia o uso dos drones para distribuição de insumos sólidos. Os pesquisadores estudam o desempenho do sistema dispersor no lançamento de sementes, fertilizantes e iscas formicidas, observando como a altura e a velocidade de voo influenciam a uniformidade da aplicação.
Os resultados preliminares mostram que voos realizados em maiores altitudes ampliam a área de cobertura, mas também aumentam o risco de deriva causada pelo vento e reduzem a concentração das gotas na região central da aplicação. Já velocidades mais elevadas tornam a distribuição menos uniforme, comprometendo a qualidade da pulverização.
Estudos incluem relevo e custos operacionais
Os pesquisadores também investigam o desempenho dos drones em áreas de relevo irregular e regiões montanhosas. O foco é avaliar a estabilidade de voo, a capacidade de manter altura constante em relação ao dossel das plantas e a precisão da aplicação em diferentes condições topográficas, tendo como referência as lavouras de café.
Paralelamente, a equipe realiza um levantamento detalhado da viabilidade econômica da tecnologia. São monitorados o tempo de operação, preparo da calda, deslocamento, consumo de energia e o tempo necessário para recarga das baterias do drone, do controle remoto e dos sistemas de navegação. Essas informações permitirão calcular o custo real da aplicação por hectare.
Ao final das pesquisas, a equipe pretende reunir os resultados em um manual de boas práticas para aplicação de defensivos e fertilizantes agrícolas com drones. O material deverá ser disponibilizado aos produtores rurais até o fim deste ano, oferecendo orientações técnicas para ampliar a eficiência e a segurança das operações no campo.
Fonte: Ufes