Arte, Crônicas e Poesia
Olhares exaustos
Publicado em 06/04/2026 às 09:13

Os clamores ecoam no vazio, apenas o som do meu coração angustiado é perceptível. O mundo beira a destruição, os temores tornaram-se realidade, a guerra galopa feito um cavalo selvagem, os argumentos hodiernamente sãos balas e metralhadoras.
Uma outra guerra implode dentro de mim, o embate entre fé e realidade. Os meus olhos deparam-se com destruição, pavor e espanto. Nessa vida agitada, sou como um viajante que olha pela janela e vê imagens e cores difusas, nada é nítido e perceptível. Os dias passam sem serem sentidos.
A sensação de descontrole é o que mais aflige, aterrador acordar todas as manhãs e desconhecer o porvir e não ter qualquer ilusão que permita esquecer e passar o tempo. Meu avô sempre dizia que “pare de pensar e viva, feche os olhos e caminhe”. Nunca consegui compreender essas palavras, o conhecimento é sempre distinto da compreensão, a dor é que realmente torna indelével todo aprendizado.
A ansiedade é a luta mais difícil, a mente fervilhante, inúmeras hipóteses, coração acelerado e um infindável anseio de chegar à plenitude: Paz.
Pareço estar em uma roda gigante que gira em altíssima velocidade, apenas os solavancos da subida e descida. Será uma percepção apenas minha?
Em passeio pelas ruas do centro de Belo Horizonte noto olhares cada vez mais extenuados e indiferentes a tudo e todos, parecem apenas autômatos, vagueando pela existência, absortos na sobrevivência. Me surge a questão: talvez não está aí um modo mais “feliz” de viver e eu sempre estive errado, almejando sentido e plenitude moral.
Será a sabedoria uma grande utopia e deveríamos contentarmos apenas em sobreviver, a todo custo resistir e apenas ir? Ou seja, aceitar o lamaçal em que vivemos e sorrir diante do abismo…
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