Com estradas destruídas e desalojados, Marechal Floriano vai decretar situação de emergência
Publicado em 20/03/2026 às 10:39
Texto: Julio Huber/ Fotos: Divulgação
Pelo menos 240 pessoas estão desalojadas em Marechal Floriano, em consequência das fortes chuvas que atingiram o município na tarde de ontem (19). De acordo com a Defesa Civil municipal, em regiões dos distritos de Santa Maria e Araguaya, além da comunidade de Rio Fundo, foram registrados mais de 200 milímetros de chuva em menos de três horas.
Mais de 570 imóveis foram atingidos por inundações e mais de duas mil pessoas foram diretamente afetadas, segundo informações da Defesa Civil. As estradas das regiões mais afetadas pelas chuvas estão em situações precárias e muitas delas intransitáveis.
Diante de toda a situação, o prefeito de Marechal Floriano, Antônio Lidiney Gobbi, está reunido, na manhã desta sexta-feira (20), com a Defesa Civil municipal, Corpo de Bombeiros e sua equipe de governo para reunir documentos e decretar a situação de emergência no município.

Em conversa na manhã desta sexta-feira, o prefeito relatou a gravidade do cenário e destacou que a intensidade e o volume das chuvas surpreenderam até mesmo as equipes mais experientes. Segundo ele, não houve rompimento de represas, como chegou a ser cogitado por moradores, mas sim um volume de chuva extremamente elevado e concentrado em diferentes regiões do município.
Gobbi explicou que, em áreas como a região da Quinta dos Lagos, foram registrados cerca de 92 milímetros em um curto período, enquanto em pontos mais altos, entre Santa Maria e áreas próximas, os acumulados chegaram a níveis muito superiores, com registros acima dos 250 milímetros, medidos por pluviómetros instalados em propriedades rurais. “Foi muita água em pouco tempo e de forma localizada. Isso fez com que tudo descesse para a sede”, afirmou.
O prefeito também ressaltou que a sequência das enxurradas poderia ter causado ainda mais danos. “A água veio em momentos diferentes e isso acabou equilibrando um pouco. As águas das regiões altas já começaram a passar pela sede, mas depois que a inundação causada pelo córrego Batatal já havia amenizado. Se tivesse vindo tudo de uma vez, teria inundado praticamente tudo”, disse.

Entretanto, por volta de 10h de hoje, o Braço Sul do rio Jucu, no trecho que corta a sede municipal, já estava a alguns centímetros de transbordar. A rua Waldemar Mees já estava alagada e os moradores e comerciantes em alerta. O nível do rio subiu, mesmo sem estar chovendo, devido as águas das regiões altas que estão chegando com mais intensidade no Centro.
Moradores estão ilhados no interior do município
Em localidades do interior, a situação é considerada crítica. Há estradas completamente destruídas e trechos onde não há mais condições de passagem. Pontes também foram levadas pela força da água, como na região de Rio Fundo, comprometendo o acesso entre comunidades. “Tem lugar que não tem mais estrada, vai precisar refazer tudo”, destacou.
A administração municipal já iniciou o levantamento detalhado dos prejuízos, com registros fotográficos e georreferenciados, para viabilizar o decreto de emergência e garantir apoio estadual e de outros municípios, que já manifestaram ajuda. Equipes de diversas secretarias atuam de forma integrada, enquanto a limpeza de áreas atingidas já começou nos pontos mais acessíveis.
APOIO – Além disso, o município mobilizou a assistência social para atender as famílias atingidas. Muitos moradores estão desalojados e foram acolhidos por vizinhos e produtores rurais da região. “As pessoas se ajudaram muito. Muitas propriedades abriram as portas para receber quem precisou sair de casa”, relatou o prefeito.
As perdas materiais, no entanto, são significativas. Segundo Gobbi, muitos moradores perderam praticamente todos os móveis e pertences. As equipes já realizam o cadastramento das famílias para viabilizar a entrega de ajuda humanitária. “A assistência social já está em campo levantando tudo, para que a Defesa Civil possa providenciar kits e atender essas pessoas o mais rápido possível”, afirmou.
O prefeito também alertou para a previsão de novas chuvas, o que aumenta a preocupação, já que o solo está completamente encharcado. “Agora qualquer chuva que vier é mais complicada, porque a terra já não absorve mais água”, disse.
Ele classificou o episódio como um dos mais graves já registrados no município. “Foi uma das situações mais difíceis que Marechal Floriano já enfrentou. O estrago foi muito grande”, concluiu.




