Arte, Crônicas e Poesia
Errantes em busca da luz
Publicado em 18/03/2026 às 08:17

O Senhor é maravilhoso em tudo, por que meus olhos ficaram fechados por tanto tempo?
Durante muito tempo vivi para agradar os outros, ansiando por aprovação de quem nunca gostou de mim, busquei carinho em mãos que carregavam pedras. Nutri esperança em coisas materiais, cria que era a chave para ser amado por todo mundo. Deus, por que?
Sem a tua presença é assim a existência, uma busca vazia por aprovação e glória humana, corrida acelerada e alucinante por possuir, dominar e gozar prazeres diversos. O luxo e luxúria são ilimitados.
Durante o período que trabalhei com a população em situação de rua ouvi um relato que demorei anos para compreender.
Esse homem era um engenheiro, foi excelente aluno, desde a faculdade teve inúmeras oportunidades de trabalho, assim que graduou-se teve uma excelente proposta e foi morar na Alemanha, conheceu a Europa toda. Ao voltar para o Brasil reencontrou uma colega de faculdade e depois de curto período de namoro, casaram-se em uma cerimônia com mais de quinhentas pessoas, família e amigos comemoraram esse dia especial.
Não tardou muito, com três anos de casamento, tiveram o primeiro filho, que aliás ele nunca conseguiu me falar, a mera menção o silenciava. Aos 5 anos de casamento tiveram uma menininha, segundo me relatou era o jeito e semblante da sua esposa. Principalmente o sorriso que ocasionava pequenas marquinhas nas bochechas.
O emprego estava bom, família estável, nenhuma grande aflição, por convite de colegas de trabalho começou a participar de um grupo de baralho, reuniam-se para jogar poker e tomar rum. Nada sinalizava que seria uma coisa ruim.Ao decorrer do tempo o que era eventual tornou-se habitual, o entretenimento virou vício. O jogo e bebida passaram a ser prioridades na sua vida.
Ele me contou que durante um ano ninguém percebeu nada, inclusive ele, tudo mudou quando chegou embriagado na empresa e foi demitido, após isso a mulher avisou toda a família e ficaram com exigências e cobranças. Ele revelou-me que tomou a decisão da sua vida, deixou senhas bancárias e um descritivo financeiro detalhado e foi para as ruas vagar. Quando eu o conheci já tinha passado dez anos de tudo, diante da sua abertura eu perguntei o porquê.
E sua resposta me chocou: “Foi por amor, sabia que não conseguiria largar as bebidas e os jogos e seria inevitável a perda de todo o patrimônio necessário para sobrevivência dos meus filhos e esposa. Entre afundar todo mundo, me afundei sozinho”.
Eu fiquei anos com a visão distorcida sobre isso, com julgamentos vazios e moralizantes, o que aprendi desde então foi que a estabilidade financeira é ilusória e que a Ti devemos entregar a vida, pois a voz do mundo grita muito alto dentro dos nossos corações e em alguns períodos da vida é muito difícil não sucumbir.
Errantes vamos, seja sempre a minha luz!