Ministro da Saúde inicia vacinação contra a dengue com primeira vacina 100% nacional em Botucatu

Publicado em 19/01/2026 às 08:27

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Foto: Walterson Rosa/MS

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, iniciou neste domingo (18), em Botucatu (SP), a vacinação contra a dengue com a primeira vacina 100% nacional e de dose única, desenvolvida pelo Instituto Butantan. O município paulista é o terceiro a integrar a estratégia piloto do Ministério da Saúde, ao lado de Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), que tem como objetivo avaliar o impacto da imunização na transmissão da doença e produzir evidências técnicas para a ampliação da estratégia em todo o país.

“Neste fim de semana, essas cidades iniciaram a convocação de toda a população de 15 a 59 anos para se vacinar nas unidades de saúde. Se alcançarmos entre 40% e 50% de cobertura vacinal, além da proteção individual, a vacina poderá ter um impacto significativo no controle da dengue em toda a cidade”, afirmou o ministro Alexandre Padilha.

Padilha também destacou os avanços registrados na vacinação infantil no Brasil. “Em 2026, temos muitas novidades na área da imunização. Enquanto alguns países estão reduzindo ou retirando vacinas do calendário infantil, o Brasil segue ampliando sua oferta. Encerramos 2025 com crescimento da cobertura de todas as vacinas do calendário infantil. Em 2022, chegamos a registrar menos de 80% de cobertura”, ressaltou.

A escolha de Botucatu reforça o histórico do município como referência em estudos de efetividade vacinal. A cidade já participou de iniciativas semelhantes durante a pandemia de Covid-19, contribuindo para a avaliação de estratégias de vacinação em larga escala no Brasil.

As análises da estratégia piloto serão realizadas ao longo de um ano, com apoio de especialistas, e irão avaliar a incidência da dengue nos municípios selecionados, além do monitoramento de possíveis eventos adversos raros após a imunização. Metodologia semelhante já foi adotada em Botucatu na avaliação da efetividade das vacinas contra a Covid-19.

Nesta primeira etapa, 204,1 mil doses serão distribuídas entre os três municípios: 80 mil para Botucatu (SP), 60,1 mil para Maranguape (CE) e 64 mil para Nova Lima (MG). O quantitativo é suficiente para a vacinação em massa da população-alvo e integra as 1,3 milhão de doses produzidas pelo Instituto Butantan. O desenvolvimento da vacina contou com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, segue sendo ofertada a vacina japonesa, com esquema de duas doses. Inicialmente disponibilizado em 2,1 mil municípios prioritários, o imunizante passou a ser ofertado em todo o país, abrangendo mais de 5 mil municípios. Já a vacina desenvolvida pelo Butantan será destinada às demais faixas etárias, de 15 a 59 anos, conforme o limite máximo estabelecido em bula e regulamentado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Ampliação da oferta da vacina do Butantan

Com a ampliação da produção da Butantan-DV, a imunização de profissionais da Atenção Primária à Saúde está prevista para o início de fevereiro. Cerca de 1,1 milhão de doses deverão ser destinadas a trabalhadores da linha de frente do Sistema Único de Saúde (SUS), como médicos, enfermeiros e agentes comunitários, assim que esse volume estiver disponível.

A estratégia nacional de vacinação do público geral será implementada de forma gradual, conforme a disponibilidade de doses. Por meio da parceria de transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines, a produção será ampliada progressivamente, com expectativa de aumento de até 30 vezes. A vacinação começará pela população de 59 anos e avançará até o público de 15 anos.

Quem pode se vacinar?

Nos municípios-piloto, a vacina Butantan-DV será aplicada em pessoas de 15 a 59 anos. A imunização ocorre nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e em outros pontos estratégicos definidos pelas administrações municipais.

A Butantan-DV é o primeiro imunizante de dose única do mundo contra a dengue. Além de facilitar a adesão ao esquema vacinal, oferece proteção contra os quatro sorotipos do vírus. Estudos clínicos indicam eficácia global de 74%, com redução de 91% dos casos graves e 100% de proteção contra hospitalizações por dengue.

Desde 2024, o Brasil é o primeiro país a ofertar vacina contra a dengue no sistema público de saúde. O SUS mantém a vacinação de crianças e adolescentes de 10 a 14 anos com o imunizante de duas doses, aplicado exclusivamente nas Unidades Básicas de Saúde.

Cenário epidemiológico

Em 2025, os casos de dengue no Brasil apresentaram redução de 74% em relação a 2024. Apesar da queda expressiva, o Ministério da Saúde reforça a importância da manutenção das ações de combate ao mosquito Aedes aegypti em todo o território nacional.

Ao longo do ano, foram registrados 1,7 milhão de casos prováveis da doença, frente a 6,5 milhões no ano anterior. O número de óbitos também caiu de forma significativa: 1,7 mil mortes em 2025, o que representa redução de 72% em comparação às 6,3 mil mortes registradas em 2024.

O Ministério da Saúde reforça que a principal forma de combate à dengue, chikungunya e zika continua sendo a eliminação dos criadouros do Aedes aegypti. A vacinação atua de forma complementar às ações de controle vetorial, uso de inseticidas, testes rápidos e adoção de tecnologias inovadoras.

Fonte: João Vitor Moura /Ministério da Saúde 

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