Falta de pagamento paralisa parcialmente atendimentos de saúde e gera revolta em Marechal Floriano
Publicado em 13/01/2026 às 10:12
Texto: Bruno Caetano/ Foto: PMMF
A falta de médicos e a interrupção parcial dos atendimentos de saúde em Marechal Floriano provocou revolta entre moradores, mobilização de vereadores e uma série de manifestações nas redes sociais nos últimos dias. Denúncias apontam que pacientes deixaram de ser atendidos na Policlínica Central, devido à paralisação dos serviços médicos nesta unidade de saúde. O motivo está ligado ao atraso no pagamento dos profissionais da área.
Segundo relatos da população, a situação se agravou ao longo da última semana, quando pessoas passaram a procurar atendimento e receberam a informação de que não havia médicos suficientes ou de que só seriam atendidas em casos de urgência e emergência. Em alguns casos, pacientes precisaram se deslocar para municípios vizinhos em busca de assistência.
Uma moradora afirmou que pessoas chegam passando mal à Policlínica e têm o atendimento negado sob a justificativa da falta de profissionais. Ela relatou ainda que nem todos conseguem se locomover para outras cidades, o que agrava a situação de quem depende exclusivamente do sistema público de saúde local.
Outro relato aponta que, no último sábado (10), uma paciente buscou atendimento e teve o pedido recusado, sendo orientada a procurar uma unidade em Domingos Martins. Segundo ela, médicos estariam se negando a atender por falta de pagamento, o que classificou como uma vergonha para o município.
Mobilização popular e ausência de respostas
Diante das denúncias, vereadores estiveram na Policlínica de Marechal Floriano para fiscalizar a situação. Em comunicado, vereadores da Câmara Municipal informaram que os atendimentos médicos seguiram paralisados durante a semana por falta de pagamento aos profissionais
Segundo eles, há risco iminente de paralisação também da enfermagem. Somente em um dia, mais de 200 pessoas teriam ficado sem atendimento e, no dia seguinte, outras 40 não conseguiram ser atendidas. O levantamento dos vereadores aponta ainda que, desde o início do ano, cerca de 220 atendimentos especializados foram cancelados, incluindo consultas em psiquiatria, ginecologia, cardiologia e outras áreas.
O presidente da Câmara de Marechal Floriano, Juarez José Xavier, afirmou que a preocupação é tanto com os pacientes quanto com os profissionais de saúde. Segundo ele, muitos médicos dependem exclusivamente do salário pago pelo município.
“O profissional precisa ter a segurança de que receberá no fim do mês para manter suas contas em dia. Sem pagamento, torna-se inviável continuar trabalhando, já que também precisam sustentar suas famílias”, diz presidente da Câmara.
Ele ressaltou que a responsabilidade pelo pagamento é do Executivo municipal e da empresa gestora, cabendo ao Legislativo apenas o papel de fiscalização e defesa da população. Juarez afirmou ainda que dezenas de denúncias foram confirmadas após visitas dos vereadores à Policlínica.
Segundo ele, a paralisação já ocorre desde o início da semana passada e há risco de perda de profissionais da saúde, incluindo enfermeiros. O presidente também criticou a falta de diálogo da administração municipal e afirmou que nem o prefeito, nem o vice-prefeito, nem o secretário de Saúde têm se reunido com os envolvidos para definir datas e um planejamento de pagamento.
Empresa alerta para suspensão total dos serviços
A situação também foi oficialmente comunicada por meio de um documento assinado eletronicamente pelo médico responsável pela empresa For Life Serviços Médicos, Hospitalares e em Saúde Ltda, que presta serviços no município.
No comunicado, a empresa informou que atua em Marechal Floriano desde 2021 e que, após os serviços terem sido assumidos por uma Organização Social, passou a enfrentar atrasos nos pagamentos em razão de uma decisão judicial que suspendeu os repasses.
Segundo o documento, os profissionais médicos estavam sem receber desde novembro de 2025, o que tornou a situação financeira insustentável para a equipe. A empresa comunicou a suspensão de atendimentos especializados em diversas áreas, como dermatologia, psiquiatria, ginecologia, pediatria, neurologia e ortopedia, além da retirada de médicos de apoio em algumas unidades.
O comunicado alertou ainda para o risco de paralisação total dos serviços caso os débitos não sejam quitados, situação que já foi informada ao Ministério Público e ao Conselho Regional de Medicina.
Prefeitura promete regularizar pagamentos até esta terça-feira (13)
Diante da repercussão, o prefeito Lidiney Gobbi se manifestou oficialmente nas redes sociais, afirmando que o atraso nos pagamentos não ocorreu por falta de compromisso da Prefeitura, mas pela necessidade de cumprir uma ordem judicial e recomendações legais.
Segundo o prefeito, equipes da Secretaria de Saúde, da Procuradoria e do setor jurídico trabalharam durante toda a semana e também no fim de semana para buscar uma solução legal para os pagamentos.
Ele informou que a previsão é de que os repasses à empresa responsável comecem a ser realizados até hoje (13), possibilitando o pagamento dos profissionais de saúde.
O prefeito agradeceu a compreensão da população e dos profissionais que continuaram atuando mesmo diante das dificuldades, além de elogiar o trabalho das equipes envolvidas. Apesar da promessa de regularização, moradores seguem apreensivos e cobram a retomada imediata dos atendimentos, temendo que a interrupção dos serviços continue impactando diretamente a saúde da população.