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Coluna Diversidade

Quando o governo inclui, a sociedade avança

Publicado em 17/11/2025 às 08:12

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Governos que reconhecem sua responsabilidade utilizam a comunicação como ferramenta educativa, capaz de ampliar a compreensão social sobre a deficiência e fortalecer a equidade.

Brigada 21 é a primeira turma de brigadistas com síndrome de Down no Brasil, talvez no mundo. Tive a honra de idealizar o projeto. Foto: Corpo de Bombeiros Militar do ES.

A construção de uma sociedade inclusiva depende diretamente do compromisso do Estado com a promoção e a garantia de direitos. Quando governos assumem o papel de protagonistas na transformação social, criam condições para que pessoas com deficiência tenham acesso equitativo às oportunidades, ao mesmo tempo em que fortalecem políticas voltadas à cidadania e ao bem-estar. Essa responsabilidade está prevista em marcos normativos como a Constituição Federal de 1988, a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015) e a Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, documentos que orientam a atuação pública e reforçam a centralidade da inclusão como princípio de Estado.

Para que essas diretrizes saiam do papel, é essencial que gestores adotem uma nova mentalidade, capaz de reconhecer que a inclusão vai além de adaptações físicas. Ela envolve compreender o cotidiano das pessoas com deficiência e de suas famílias, suas barreiras sociais, comunicacionais e atitudinais. Quando gestores e profissionais passam a conhecer de perto essa realidade, compreendendo a rotina, as demandas e as interações que fazem parte do dia a dia, a convivência se torna naturalmente mais acolhedora e respeitosa. A familiaridade aproxima, reduz distâncias simbólicas e desenvolve um olhar mais sensível e atento às necessidades reais, evitando que políticas públicas sejam guiadas apenas por pressupostos abstratos.

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Órgãos governamentais, como a Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, reforçam a importância de políticas intersetoriais que promovam autonomia, participação comunitária e inclusão plena. Isso exige formação continuada dos servidores, diálogo permanente com movimentos sociais e uso sistemático de dados oficiais, produzidos por instituições como o IBGE e o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, para fundamentar diagnósticos e decisões. Uma administração pública que conhece a realidade do público que atende é capaz de desenvolver ações mais eficazes e coerentes com as demandas da população.

Nesse cenário, a comunicação institucional assume papel estratégico. Governos que reconhecem sua responsabilidade utilizam a comunicação como ferramenta educativa, capaz de ampliar a compreensão social sobre a deficiência e fortalecer a equidade. Campanhas acessíveis em diferentes formatos, conteúdos informativos claros e ações de sensibilização ajudam a combater estigmas, promover empatia e incentivar práticas inclusivas nos serviços públicos e na comunidade. A Lei Brasileira de Inclusão reconhece a comunicação acessível como condição essencial para o exercício de direitos, reforçando sua relevância dentro das políticas de inclusão.

Quando a comunicação é aliada ao conhecimento de campo e a uma cultura institucional sensível à diversidade, o impacto social é ainda maior. Governos passam a influenciar diretamente a formação de uma mentalidade coletiva mais justa, informada e acolhedora, criando bases sólidas para a transformação social que o país busca. É desse alinhamento entre legislação, prática administrativa e compromisso humano que surgem políticas públicas capazes de promover verdadeira equidade e fortalecer a cidadania das pessoas com deficiência.

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Marcel Andrade Carone – Jornalista, apresentador de TV, empresário,empreendedor social comprometido com a inclusão, embaixador da Vitória Down, idealizador da “Brigada 21” e do “Pelotão 21”.
É diplomado pela Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG) e comendador do 38° Batalhão de Infantaria do Exército Brasileiro.

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