Expectativa de queda na produção de café para 2018

A colheita de café da safra 2017, de ciclo baixo, está chegando ao fim, mas a expectativa dos produtores não é das melhores para o ciclo 2018/2019. Nas principais regiões produtoras do país, a falta de chuva e as temperaturas médias muito altas para essa época do ano aumentam a preocupação em relação à produtividade e à qualidade da próxima safra.

Há vários meses os operadores do mercado previam uma safra de café recorde em 2018, mas em consequência do clima, esta possibilidade está descartada. Segundo diretor técnico da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), José Milton Dallari, há uma incógnita em relação à próxima safra. “Com a escassez de chuvas entre agosto e setembro, a primeira florada do arábica, que ocorreu no fim de agosto, vingou muito pouco, exceto o café irrigado”, diz.

Quanto à próxima florada, a mais importante, esperada a partir de outubro, ele acredita que poderá ser prejudicada, se não chover nas regiões produtoras. “Mas pode haver alguma recuperação, caso chova em novembro e dezembro”, prevê o diretor da SNA.

COLHEITA - A safra 2017 de café deverá chegar a 44,77 milhões de sacas de 60 Kg, segundo levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O resultado indica uma redução de 12,8%, comparada com o ciclo anterior, quando foram obtidas 51,37 milhões de sacas. Para Dallari, a safra atual deverá ficar entre 44 mil e 47 mil sacas.

Maior produtor de café do mundo, com 32% do total, maior exportador e segundo maior consumidor, pela primeira vez o Brasil está com os estoques governamentais zerados. Na prática, o país conta somente com o café colhido na safra 2017 para atender aos compromissos de exportação e ao consumo interno. A expectativa de boa safra para 2018 poderia ajudar a regular esses estoques, mas isso pode não acontecer.

AMEAÇA – Um estudo divulgado dia 11 de setembro, pela Universidade de Vermont (EUA), acena com um futuro difícil para o café. O efeito do aquecimento global, que tem modificado o clima no planeta, pode diminuir em até 88% as áreas próprias para cultivo para essa lavoura nos próximos 40 anos.

Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), órgão da Organização das Nações Unidas (ONU), um aumento de 3 graus na temperatura global poderia reduzir em 50% as áreas cultiváveis em países como Brasil, Vietnã - o segundo maior produtor mundial - e Colômbia, o terceiro.