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O presidente do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Ruaral (Incaper), Evair Vieira de Mello, fala dos principais projetos do instituto para o ano de 2010. Segundo ele, o Incaper tem a missão de contribuir para o desenvolvimento rural sustentável do Espírito Santo.
Montanhas Capixabas - Como é estar à frente do Incaper?
Evair de Mello - É preciso compreender que o Incaper tem a missão de contribuir para o desenvolvimento rural sustentável do Espírito Santo, com ações no âmbito da pesquisa, assistência técnica e extensão rural aos pescadores e agricultores de base familiar. Essa missão deve ser executada em todo o território estadual. O modelo econômico capixaba de centralização dos investimentos na Grande Vitória foi um erro histórico.
Um dos grandes avanços do atual governo é ter construído um planejamento que respeitasse as vocações regionais e realizado ações que chegassem aos 78 municípios do Estado. O meu esforço, juntamente com toda a equipe do Incaper, é no sentido de fortalecer a agricultura de base familiar em todo o Estado.
Para tanto, o Instituto realiza pesquisas e treinamentos em todos os setores do agronegócio, com o intuito de melhorar a vida do agricultor capixaba, tornando a atividade agrícola mais diversificada e rentável. Espero aproveitar a oportunidade de estar à frente do Incaper para contribuir para o crescimento do agricultor capixaba e favorecer a permanência do mesmo no campo.
Quais os principais projetos do Incaper para os setores do agronegócio capixaba em 2010?
Reestruturação de laboratórios de pesquisa, reforma de escritórios locais, aquisição de veículos, aparelhos de ar condicionado, realização de cursos e oficinas, inauguração de uma Unidade de Referência em Pecuária de Leite, entre outras ações, fazem parte das metas do Instituto para 2010.
Para tanto, o órgão vai investir R$ 14 milhões na estrutura física, em pesquisa e nas atividades de assistência técnica e extensão rural para agricultores familiares. O montante é proveniente de parcerias com o Governo Federal, por meio de convênios com o Programa de Fortalecimento e Crescimento – PAC/Embrapa, e com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).
O Instituto pretende garantir assistência técnica a 55 mil agricultores e pescadores de base familiar, por meio da elaboração de projetos de crédito rural, ações do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), projetos de barragem, orientação para licenciamento ambiental e em técnica geral.
Dentre outras metas, diretamente destinadas aos agricultores familiares, estão: condução de 133 projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica; elaboração de 4.000 projetos de crédito rural; realização de 300 cursos e oficinas voltadas a aproximadamente 10 mil pescadores e agricultores; mais de 120 mil análises laboratoriais para atender à demanda de agricultores; e projetos de pesquisa, entre outros.
Com os recursos do PAC Embrapa, serão construídos laboratórios nos Centros de Pesquisas de Domingos Martins e de Linhares. No Centro Regional de Desenvolvimento Rural (CRDR) Centro-Serrano contará com seis laboratórios – Fitopatologia, Biologia Molecular, Pós-colheita, Solos, Cultura de Tecidos e Entomologia e Controle Biológico.
Já no CRDR Nordeste, serão construídos nove laboratórios para pesquisas de Solos, Sementes, Fitopatologia, Controle Biológico, Virologia, Entomologia, Biologia Molecular, Cultura de Tecidos e Fisiologia Vegetal e Pós Colheita.
Um ponto de destaque é a inauguração da Unidade de Referência em Pecuária de Leite para a Agricultura Familiar, na Fazenda Experimental de Pacotuba, em Cachoeiro de Itapemirim. A unidade, em fase de construção, será utilizada por técnicos do Incaper para servir de modelo para visitas de agricultores nos treinamentos.
O Instituto pretende investir também na recuperação de campos experimentais, em irrigação, em poços artesanais e tanques de armazenamento. Além disso, está prevista a continuidade nas reformas das bases físicas do Incaper, ou seja, dos escritórios locais e da sede.
O programa Renovar Arábica já mostra resultados desde que foi implantado?
Sim. Em três anos que o programa vem sendo implantado no Estado, verifica-se a renovação de aproximadamente 10% lavouras capixabas, utilizando-se cultivares mais modernas, um espaçamento mais adensado e boas práticas de cultivo. Além disso, houve a capacitação de produtores para a utilização das modernas tecnologias de manejo e gestão de propriedades.
Dessa forma, pode-se observar um aumento de cerca de 30% da produtividade do cafeeiro capixaba e 35% da produção, sem que fosse preciso o aumento da área plantada.
A safra de café deste ano foi prejudicada por causa da seca, mas segundo estimativas, será maior que no ano anterior. O que se deve esse crescente aumento da safra?
O crescimento da produção no Espírito Santo poder ser atribuído à renovação do parque cafeeiro capixaba e à utilização adequada de tecnologias avançadas no manejo das lavouras.
O uso de variedades clonais com alto potencial de produção, tecnologias de adubação, poda, irrigação, bom manejo de pragas e doenças, maior adensamento das lavouras, entre outras práticas, são os motivos do aumento da produção de café no Estado, mesmo com os três meses de seca enfrentados pelo Espírito Santo. Se não fosse a seca, com certeza teríamos cerca de 1 milhão de sacas a mais.
O avanço das tecnologias de manejo do café e desenvolvimento de novas variedades mais produtivas e resistentes à seca, que culminaram no aumento da produção, deve-se a um programa de pesquisa científica do Incaper, que teve início há 25 anos atrás. Outro aspecto relevante, que se aplica principalmente no caso do arábica, é a bianualidade de produção. Isso significa que a produção é mais elevada a cada dois anos, e neste ano estamos no período de cargas altas.
A liberação da importação do café pode atrapalhar ou diminuir o preço do café capixaba?
O Governo do Estado do Espírito Santo é contrário à importação de café pelo Brasil. Nossa posição está pautada em diversos aspectos de ordem técnica, social e de política pública. Ao se importar café de outros países, por exemplo, corre-se o risco de se trazer pragas para nossas lavouras.
A importação é inoportuna ainda porque o custo de produção do café brasileiro é superior ao de nossos concorrentes. Os principais produtores de café estão presentes em países de mão-de-obra barata, como Vetnã, Colômbia, Costa Rica, Costa do Marfin e Indonésia, o que torna a concorrência desleal.
Moeda nacional muito valorizada, importação de insumos, que são tributados, e cumprimento de rigorosas legislações trabalhista e ambiental justificam nossos custos mais elevados. Portanto, importar café neste momento pode colocar em risco a nossa cafeicultura e nossos cafeicultores.
Com a mudança de governo, independente de quem for eleito o governador do Estado, algum programa em andamento na agricultura capixaba, como o Renovar Arábica, corre o risco de ser prejudicado?
De forma alguma. A agricultura tem um planejamento de crescimento para os próximos 15 anos, de acordo com o previsto no Plano Estratégico de Desenvolvimento da agricultura Capixaba (Novo Pedeag 2007-2025). Se no próximo governo ocorrerem modificações, serão para incrementar ou melhorar o programa, não para retroceder.
Há algum setor agrícola que tem crescido ou que merece destaque nos últimos anos no Estado?
Primeiramente o café, que é a principal atividade econômica do Espírito Santo. O Estado, que ocupa menos de 0,5% do território Brasileiro, é o segundo maior produtor do país. Quando tratado apenas do Conilon, os capixabas ocupam o primeiro lugar, com 72 % da produção nacional. A atividade gera cerca de 400 mil empregos e está presente em numa área aproximada de 500 mil hectares, oriundas de 60 mil propriedades, que este ano irão produzir mais de 11 milhões de sacas de café.
Nos últimos seis anos, pode-se observar um crescimento significativo de produção e produtividade na atividade, que pode ser atribuído ao desenvolvimento de tecnologias mais modernas de cultivo. A produtividade média do arábica passou de 10 sacas por hectare para 16 sacas/ha; e o Conilon pulou de 23 para 28 sacas por hectare.
É interessante pontuar também o grande desenvolvimento da fruticultura capixaba. A Seag, por meio do Incaper, desde 2003 tem implantado no Estado Polos de Frutas, onde o agricultor recebe incentivos especiais para produzir a variedade que mais se adapta às condições de clima e de solo onde a propriedade está localizada. Os benefícios vão desde o repasse de mudas à garantia de comercialização da produção, que tem os contratos de compra pré-estabelecidos e com destino certo nos mercados industrial ou “in natura”.
Atualmente os polos de abacaxi, goiaba, manga, maracujá, uva, morango, mamão, coco, e banana são uma realidade. Os de tangerina e acerola estão em fase de implantação e os de caqui, caju, laranja, pêssego e frutas vermelhas estão em estudo de viabilidade.
Em 2009, o agronegócio frutas registrou números expressivos para a agricultura capixaba, ao corresponder por 17% do Valor Bruto da Produção Agropecuária do Estado, gerando R$ 600 milhões em renda.
Na sua opinião, qual importância da avicultura e da suinocultura no agronegócio capixaba?
A Avicultura possui importante função econômica e social no Estado do Espírito Santo. Está presente em 350 propriedades capixabas, principalmente nos municípios de Domingos Martins, Marechal Floriano e Santa Maria de Jetibá, gerando uma renda de mais de R$ 8 milhões para o Estado e quase 23 mil empregos diretos e indiretos.
Com a inauguração da Companhia de Alimentos Uniaves em Castelo em setembro de 2009, as chances para a avicultura capixaba tendem a aumentar. A fábrica abate hoje uma média de 40 mil frangos por dia, mas pretende chegar a meta de 80 mil frangos por dia em uma ano.
Além disso, o frango capixaba já está sendo exportado pela companhia para o Japão, Hong Kong, Arábia Saudita e para todo o Oriente Médio. A expectativa é que de maio a junho aproximadamente 3 mil toneladas de frango saiam do Brasil pelos portos capixabas.
A atividade também está intimamente ligada à produção agrícola, pois abastece com adubo orgânico as áreas de plantio de verduras, legumes, frutas, café, milho e outros cultivos. A utilização do esterco, como é chamado em determinados segmentos da agricultura, corresponde grande parte de todo o adubo utilizado nas plantações.
Já a suinocultura, tem demonstrado crescentes avanços nos últimos anos. O Estado conta com uma das mais modernas estruturas e os produtores estão cada vez mais se qualificando e tecnificando. O setor gera milhares de empregos e contribuí com a economia rural capixaba. |