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Às vezes a gente passa uma vida reclamando pelos fatos que nela acontecem, sem observarmos algo de positivo ao nosso redor.
Entretanto, caso tenhamos um pouco mais de sensibilidade, identificaremos nas pequenas coisas a magia desta vida presenteada por Deus.
Há algumas semanas, saí com um grupo de pessoas e fomos a um barzinho. Transitando entre um e outro barzinho, acabamos parando num daqueles bares que fornecem certa quantidade de pão de alho, queijo e carne.
Já sabia por alto do histórico de vida delas.
Uma era professora - quem me havia apresentado às outras - e adveio de baixo para galgar posição de destaque no meio acadêmico universitário.
As outras duas eram alunas, perseguidoras do sonho do canudo num curso superior, cuja mensalidade conseguem honrar mediante árdua labuta diária.
Enquanto desfrutava da prazerosa conversa fui percebendo a força, a gana, a sensibilidade e o amor daquelas alunas que, seguindo o exemplo da professora, ao trabalharem o dia inteiro, ainda encontram tempo e vontade para estudar e buscar um lugar ao sol.
E, por mais que o cansaço por vezes tome conta em sala de aula, passam madrugadas estudando, quando não finais de semana, mas sempre estão de bem com a vida sem nada reclamarem.
Nunca ouvi uma verdadeira reclamação de qualquer delas, que são minhas alunas.
Nem quando fui levá-las em casa (moradoras de bairros humildes e perigosos, dominados pelo tráfico, na Grande Vitória, sendo que num deles tive se subir de vidro aberto para se saber que se estava em paz, e no outro, foi inviável subir o morro para deixar a outra aluna em casa), ouvi qualquer grande pleito, mas somente um espontâneo desejo, manifestado por uma delas, de sair dali e buscar um lugar mais em paz.
Após o relato de uma delas, enquanto eu dava carona para sua casa, sobre o caminho tomado por vários de seus colegas, até amigos, de infância - caminho sem volta, na direção do lucro fácil mas temporário e mortal, tive a certeza que aquelas meninas são completas vencedoras nesta vida tão injusta em nossa sociedade.
Enquanto os que muito tem, por vezes, atualmente, ancorados na preguiça, deixam o dia passar sem aproveitar as oportunidades que a vida lhes deu, estas três mulheres me ensinaram que, com luta, é possível se conquistar honestamente um lugar ao sol.
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