GERAL POLÍTICA POLÍCIA TURISMO CULTURA AGRONEGÓCIO ESPORTE SAÚDE CLASSIFICADOS EVENTOS GUIA COMERCIAL
BUSCA   
ESCOLHA SUA CIDADE 25 DE MAIO DE 2013

 

Reflexão do Cotidiano

Histórico

 

 

09/04/2013

Quando uma parte da gente se vai

 

 

 
Graças a Deus sempre tive uma família da qual me orgulhar. Um irmão companheiro e prestativo. Uma mãe modelo de dedicação à criação dos filhos. Já meu pai, este é o tema deste artigo.
 
Sabe quando tem uma pessoa que lhe dá tudo sem cobrar nada? Aquela pessoa cuja autoridade sempre esteve nas palavras, com a educação nunca tendo passado por um dedo levantado. Este é o meu pai.
 
“Mas Jairo, para com isto. Com todo o respeito, seu pai faleceu no último dia vinte e nove de março”. Discordo. Como disse o padre Ayrola, no velório, um judeu uma vez disse - não sei se aproveitando-se da páscoa, que quer dizer passagem - que o falecimento de alguém aqui na Terra é como um navio que sai de um porto nebuloso e instável, e que vai se afastando, se afastando, até sumir do horizonte, mas que vai alcançar o verdadeiro porto, aquele iluminado, definitivo. A alma dirige-se ao tempo da vida eterna.
 
Dá uma certa paz parecer ter pressentido que esta vida terrena do meu modelo de educação, caráter e pessoa estava perto do fim. No dia do seu aniversário, ao lado de uma biografia de Frank Sinatra, que ele acabou nem tocando, preocupei-me em escrever um cartão enaltecendo suas virtudes e defeitos, já que, neste caso, ele me dava provas de que também era humano. No quarto dia de um mal estar que, após exames, foi descortinado numa doença fulminante, que o levou para perto do Pai em três semanas, deitei-me ao lado dele em sua cama para conversar um pouco, num domingo à noite.
 
Nesta fase de aposentadoria, como eu gostava de cuidar dele, seja gravando um filme ou monitorando os horários dos jogos de futebol, para que ele os visse na televisão! Às vezes perdia a paciência, ou buscava corrigi-lo em algo, num eterno conflito dos jovens para buscar reduzir o nosso ritmo ao dos mais experientes ou tentando mudar hábitos já inalteráveis. Desculpei-me com ele no primeiro dia do hospital, quando ainda não se sabia o que ele tinha. Ele, em uma frase de quem somente fez o bem em sua vida, me disse: “Sei, meu filho, que você sempre fez tudo por amor.”
 
Hoje meu coração está machucado, ferido, por que não dizer dilacerado, já que uma parte de mim se foi no dia da passagem dele, o mesmo dia da passagem de Jesus Cristo. Deus o quis mais próximo logo! Afinal, ele “sempre fez o bem sem ver a quem” nos seus mais de 50 anos de rádio. A grande presença de humildes no seu velório simbolizava este fato. As chuvas que caíram durante a sexta-feira santa no velório podem ser traduzidas na benção do Espírito Santo que levou para a outra vida um ambiente mais divertido, agora com as piadas de Jairo Maia, e no choro terreno de quem obrigatoriamente se afasta dele por algum tempo.
 
Pai, obrigado por tudo! Você é, já que eternamente estará no meu coração, um pai mais do que perfeito. Hoje sinto falta até dos seus defeitos. A lembrança é forte, emocionante, e tenho a certeza de que um dia encurtaremos a distância novamente, após essa sua viagem, para, aí sim, vivermos eternamente.
 
 
 

O Montanhas Capixabas adverte que a opinião do colunista expressada no texto acima é pessoal e pode não representar a opinião da empresa ou de seus editores.

 

 

 

 

 

Ricardo Goretti

11/04/2013
18h47

Não conheço outra pessoa que evidencie, como o autor, uma relação tão forte de dedicação e amor à família. Assim como o irmão, Jairo Maia Jr transmite essas duas virtudes com muita naturalidade, a todos aqueles que, como eu, compartilham relações de amizade. Talvez daí venha a sua capacidade de, com simplicidade, escrever textos tão carregados de sentimentos “sólidos” na sua formação. Sentimentos que se tornam raros, “líquidos” na pós-modernidade (se é que abandonamos a condição moderna!). Sentimentos que nos levam a refletir. Sentimentos que nos fazem emocionar. É bonito ver que um filho carrega o pai não só no nome, mas também, no coração, nas lembrança das virtudes e dos defeitos (pois isso é humano, como frisou!).


Reportar abuso

Etienne Soares

11/04/2013
19h24

Professor,    Bela homenagem, meus parabéns.  Como sabe ano passado, despedi também do meu s. Apesar de ter alguns janeiros a mais que você o que leva a presumir que partilhei por mais tempo a benção do companheirismo com aquele que sabemos daria a sua vida por seus filhos... não foi bem assim, afinal saí da casa dele aos 18/19 anos para trabalhar no Banco do Brasil, e volteia apenas para conviver alguns minutos, horas, e em poucas ocasiões dias...então dos 60 anos concedidos por Deus em sua bondade, por minha escolha, e talvez por julgar que estes "seres" iluminados sejam imortais negligenciei o "empréstimo" que Deus havia concedido a nossa família de um criatura tão impar..., não adianta lamentar agora...escolhas são escolhas... Lembro que duas semanas antes de sua partida, estive lá com meu filho mais velho Vinicius (médico), que já na volta disse para mim: Pai seria oportuno aumentar a frequência das visitas ao vovô... afinal ele está próximo dos 96 anos... Olhei para o “garoto” e pensei, o que é isto?  Temos tempo, o velho vai fácil passar dos 100..., mesmo assim havia planejado voltar duas semanas depois... Não deu tempo! Dois dias antes em 24 de Outubro de 2012 resolveu aquele que detêm os destinos de todos nós, que a missão do meu velho está concluída... Eram 23h00min horas e minha baixinha veio até o quarto com o telefone na mão para que eu atendesse coisa que ela nunca havia feito, ou seja, me acordar para atender ao telefone... olhei para ela e já fui dizendo: Papai morreu?!  Um misto de interrogação com incredulidade... arrumamos rapidamente nossas coisas, liguei para o filho mais velho e eu disse que já sabia e estava vindo para irmos todos juntos para Mimoso prestar a ultima homenagem ao pai, da mesma forma que o seu, exemplo de honradez e sabedoria... Enfim, preparativos, recepção dos amigos, familiares, tudo automático... e o dia passou e voltamos para Vitória... no dia seguinte a ficha caiu!  Coração apertado à certeza que a despedida não tinha sido para uma viagem comum era para a última jornada... e o reencontro não dependerá de nossa vontade... No convite para missa de 7º dia, escrevi alguma coisa que tirando a diferença da semântica traduz da mesma forma o carinho de um filho para seu pai, me permita partilhar contigo: “Jesus veio bater à porta do nosso lar e chamou para Sua divina companhia nosso inesquecível patriarca Benedicto Jorge Soares. Senhor! Vós o emprestastes para fazer a nossa felicidade, nós o restituímos agradecidos e em silêncio, mas com o coração oprimido pela saudade. Senhor acolha-o em teu reino e dai-lhe o repouso eterno. Neste momento, faz oportuno lembrar a frase que colocamos no túmulo de sua esposa e nossa mãe que nos deixou já há algum tempo: Mãe tu não morreste, foste apenas chamada pelo criador para junto Dele, preparar o caminho de nosso reencontro”.  Sua filha Luciene está contigo, receba agora seu companheiro de jornada, Benedicto. Um dia estaremos, espero, todos juntos, vocês foram muito especiais em nossas vidas. Obrigado!


Reportar abuso

Renata Dalla

11/04/2013
20h14

Lindo texto primo!!!! Seu pai era uma pessoa maravilhosa, que só deixou lembranças boas... Seja forte, amo muito vcs!!! Bjo


Reportar abuso

Fidelis Maia

12/04/2013
21h44

Juninho primo querido, parabens pelo emocionante texto!!! Pai é sempre Pai, com erros e/ou acertos, mas lembrado todos os dias, por suas palavras de apoio, carinho e amor. É assim comigo, e acredito que seja com todo filho que teve um pai como o meu, o seu e diversos outros que exitem pelo mundo. Eu tambem sou Pai, e tento passar para meus filhos tudo de bom, correto e honesto que posso, para que os mesmos aprendam a ser pessoas melhores que eu, e consequentemente construir um mundo de Pais, melhores que somos. Peço a Deus muita força para voce e sua familia aguentar esta dor que hoje os acompanham, que com muita fé, amor e união entre voces, diminuirá com o passar dos tempos.


Reportar abuso

Felipe Gomes

18/04/2013
17h32

Linda homenagem professor Jairo! Como dizia o poeta, "a missão do seu já foi cumprida. Resta agora é seguir a missão que Deus lhe deu! Se seu pai foi o espelho em sua vida, queira ser para seu filho espelho seu... Pois sabes que lá no céu o velho tem vaidade  e orgulho de seu filho ser igual seu pai ;)


Reportar abuso

Vanilda

23/04/2013
09h45

Belíssima homenagem, nossa não sabia que ele havia falecido, meus sentimentos à toda a família, hoje moro no interior do Estado, mas quando morava aí na Capital sempre ouvia o programa dele. Sei perfeitamente a dor que está sentindo, pois também perdi meu amado Pai há 4 meses, em alguns trechos do seu texto pude identificar também a história da minha família, meu Pai foi um exemplo de dignidade, honestidade, etc. Hoje o que nos resta são só lembranças dos momentos que vivemos juntos, das tantas noites que passei acordada ao lado de sua cama, dos dias infindáveis dentro do Hospital Evangélico, da espera atormentada p/visitá-lo na UTI, enfim, lembranças e mais lembranças. Tenho plena certeza que ele está em bom lugar, junto de Deus, mas... daria tudo prá tê-lo de volta, prá passar minhas noites acordada cuidando dele, não mais reclamaria das minhas imensas e profundas olheiras causadas por tantas noites mal dormidas... mas a vida é essa... Deus sabe o que faz... e temos que respeitar a vontade Dele. Amanhã, dia 24/04/2013, meu Paizinho completaria 77 anos de idade. Quanta falta ele me faz!!!


Reportar abuso

 

 
2013 (4)
 

Abril (1)

 

 

» Quando uma parte da gente...

 

Fevereiro (2)

 

 

 

Janeiro (1)

 

 

2012 (19)
2011 (36)
2010 (40)

 





GERAL POLÍTICA POLÍCIA TURISMO CULTURA AGRONEGÓCIO ESPORTE SAÚDE CLASSIFICADOS EVENTOS GUIA COMERCIAL
BUSCA   
Termo de Uso | Política de Privacidade | Anúncios Publicitários | Contatos

© 2009 Montanhas Capixabas - Todos os direitos reservados